terça-feira, 3 de maio de 2011

Casamento em Seráfia - Cap. III



Recebi tantos e-mails, com tantos desaforos, por não ter continuado ainda a narrativa sobre o casamento em Seráfia, que tive vontade de desistir. Mas, como todos sabem, eu sou uma brasileira, não desisto nunca. Infelizmente, o ex-apedeuta-mor, o Lula, também não.

Vi lá no fundo da Igreja, um homem com um chapéu estranho, que chamava a atenção. Fixei a vista na tela e reconheci. Era o Jesuíno, usando o chapéu de cangaceiro do Capitão Herculano. Eu não sei como ele se infiltrou por lá. Cangaceiros têm suas táticas. Homens com chapéus estranhos eram fáceis de notar. Já as mulheres, algumas chegavam à beira do ridículo. Havia uma (pedi até ao Jameson para ver se conseguia uma foto) cujo chapéu parecia o bolo da noiva. O de outra parecia o bombo que o Queran batia na banda do Ginásio São Geraldo, lá em Bom Conselho. Um horror. Mas, aqui prá nós, o que não vi em Seráfia, quando lá estive, foi elegância no vestir. São piores do que as americanas. É por isso que qualquer costureirinho brasileiro faz sucesso lá.

Aí veio o momento culminante, quando o celebrante perguntou se os noivos estavam dispostos a se aturar na saúde e na doença, na prosperidade e na dificuldade, por todos os dias das vidas deles. Aí não teve jeito. As lágrimas chegaram em minha face e escorreram pelo meu rosto, molhando a roupinha do meu neto que olhava prá mim com aqueles olhinhos de quem não estava entendendo nada. É apenas um hábito. Todo casamento eu choro, quanto mais no casamento do século. Logo após, gelei. Afinal de contas eu era só uma entre os 2 bilhões de pessoas que assistiam àquela bela cerimônia. Quase que a aliança não entra no dedo da Doralice. Mas, entrou para o descanso e paz de todo o cerimonial. Como todos sabem, eles já viviam juntos fazia tempo, e quando isto acontece, não tem erro, sempre aparecem umas adiposidades. A da Doralice apareceu no dedo. Se eles fizeram muitas coisas enquanto estavam juntos, brevemente as adiposidades aparecerão em outro lugar, na forma do terceiro na linha de sucessão do trono de Seráfia. São as más línguas, que não são iguais a minha.

Depois de uma locução do Fausto, irmão da já agora princesa Katherine, começaram os cânticos e o tempo para a TV serafiana dá o seu show de cobertura, focalizando os convidados ilustres, e haja ilustricidades neles. A rainha de amarelo perto do duque caduco. O general Baldini todo engalanado. Com a melhoria da transmissão é que notei que, quem estava com um chapéu de bolo era a Lady Carlota. Não posso afirmar com certeza mas penso que o moço que estava com ela era um parente do Timóteo Cabral, que ainda mora em Caldeirões naquela casa do centro, próxima a de Nicéias. Uma que apareceu, um pouco camuflada pelas roupas de "lady", mas não deu para esconder, era uma herdeira da Cangaceira Mãe, D. Cândida. Sei disso porque, nos arredores de Brogodó, não há ninguém tão parecida com a Marcix , com a Nicéias e comigo do que a Cangaceira Mãe. Somos quase sósias perfeitas. Já estou tendo ideias mirabolantes, de criar um grupo, só de mulheres lá em Bom Conselho: o CangaceiraPassa. A Marcix será convidada com certeza.

(Por hoje é só. Não fiquem muito ansiosos. Enquanto esperam, vejam Cordel Encantado. Visitem o sítio arqueológico do lugarejo, por trás da casa de Jorner, onde nasceu a Doralice, hoje princesa de Seráfia. Dizem que a TV Globo está patrocinando o projeto. Não percam o próximo capitulo dessa linda estória de amor e revolução).

Lucinha Peixoto

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