terça-feira, 3 de maio de 2011

Casamento em Seráfia - Final



Voltei para chegar ao fim. Está quase terminando esta beleza de solenidade, onde as famílias de Brogodó e de Seráfia, estão unidas para sempre. Agora será o Reino de Seráfia e Brogodó, unidos pelo casamento entre a Doralice Peixoto e Felipe, o príncipe herdeiro de Seráfia.

Tenho algo a dizer sobre a família Peixoto, que todos estão achando que somos parentes. E isto é verdade. Peixoto vem do Latim e quer dizer peixe pequeno. Já nascemos todos com este complexo de inferioridade, mas que ao longo da vida se transforma em nossa mais poderosa arma. Tanto que posso garantir que o menino pobre que foi Floriano Peixoto, que saiu de Maceió, com 16 anos, é, provavelmente filho de um dos meus ancestrais. O Roberto Lira está certo. Para verificar a veracidade desta informação estou pesquisando minha árvore genealógica. Embora, já me sinta um pouca da realeza com o casamento da Doralice Peixoto, ao qual volto agora.

Meu companheiro quando via o casamento na TV, meu marido, ficou todo embasbacado quando, após o casamento, a Lady Katherine passou pela rainha e apenas fez um leve gesto. Observação do plebeu:

- Que coisa horrível! Não abraça nem a sogra avó!

Como vocês vêem, coisa de ignorante e plebeu. Só os plebeus vivem se agarrando por pouco mais ou nada. Nobre só se agarra em situações íntimas, e mesmo assim com grandes reservas nos gestos. Um diálogo típico das luas de mel entre a nobreza pode-se imaginar, se tivermos um espírito nobre:

- Minha Lady, poderia o meu Joãozinho se achegar mais para perto de sua Carlotinha?

- Claro Sir, minha Carlotinha se regozijará com a entrada do seu Joãozinho!

Este diálogo eu só estou colocando aqui, porque sei que o Roberto Almeida não lê meus textos, pois, se lesse, ele consideraria mais uma baixaria minha e uma banalização do sexo. Eu não. Adoro a amizade entre o Joãozinho e a Carlotinha. Quanto mais unidos melhor. Já sei que vão dizer que, no caso dos casamentos modernos, na lua de mel o Joãozinho e a Carlotinha, já são velhos conhecidos e já têm uma grande intimidade. Até mesmo, muitas vezes, nem querem se ver depois da festa, como aconteceu como o Felipe e a Doralice. Mas não custa esperar um pouco, povo ansioso.

Terminada a bela cerimônia, tomada a carruagem real, os noivos se dirigiram ao Palácio Real de Seráfia, onde receberam os cumprimentos. Na rua, em frente, a multidão se esgoelava como loucos furiosos, dizendo, em serafiês é claro: beija, beija, beija... Ontem vi no Fantástico a leitura labial do que o Felipe falou para a Doralice no balcão do palácio:

- Você está vendo meu amor, eles querem que nós nos beijemos!

- Beijo de língua, Felipe?!

- Não Dorinha, meu amor, só de lábios!

- Tá bom! Mas segura o Joãozinho, visse?!

Até em leitura labial a Globo faz baixaria. Precisava ter colocado esta fala no ar? Fazer o que? TV de terceiro mundo. O que sei é, com meu serafiês de turista, pelos lábios só vi a Doralice pronunciar "Little John".

Depois do casório, e só vi isto nos telejornais, o Padre Joaquim de Brogodó apareceu dando cambalhotas no tapete vermelho da igreja. E ainda reclama das peraltices do Eronildes. Fiquei com uma vergonha danada.

Entretando, a cena que mais me chocou foi aquela mostrada pela TV, do delegado Batoré, vestido com uma farda da polícia serafiana, levando um tombo feio na rua e depois mimetizando um maestro regendo a grande multidão. Sei não, com um delegado desses não se pune nenhum crime em Brogodó.

Por falar nisso, eu agora descobri porque ainda não se encontrou em Brogodó o bandido que surrou o vereador. O delegado Batoré estava no casamento real. Pois, se houvessem descoberto alguma coisa, o Poeta já teria noticiado, mas isto já é assunto para depois.

Vejam abaixo flagrantes com o Padre Joaquim e alguns chapéus, para lembrarem sempre do casamento do século.




Lucinha Peixoto

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