quarta-feira, 18 de maio de 2011

CIDADE TURÍSTICA



Escrevemos um artigo há pouco mais de dezoito anos, publicado na GAZETA nº 54 de 11/07 a 11/09/1993 - página 7, sob o titulo “TURISMO”, comentando e apontando para uma criação de um projeto que colocasse a nossa querida terra de Bom Conselho, na rota do turismo pernambucano. Através da GAZETA nº 58 de 20/11/ a 20/12/1993, o Senhor Carlos Adelmar sob o título “O VERDADEIRO TURISMO” no seu comentário dizia que a nossa sugestão era “um tanto arcaico e ultrapassado” Em resposta a este comentário na GAZETA nº 63 de 16 a 31 de março de 1994, pagina seis, sob o título INDÚSTRIA DO TURISMO, expus o nosso pensamento sobre o turismo em nosso querido Bom Conselho. Na ocasião apontei vários lugares que mereciam ou merece atenção do poder publico municipal incrementar um trabalho de valorização dos lugares que atraísse a atenção de visitantes, trazendo para nossa cidade, eventos como exposições, congressos, festivais, etc., tudo para dar uma maior presença no cenário pernambucano. Mas frisamos para que tudo isto acontecesse seria necessário que o poder público e privado se munisse de vontade dotando a cidade de uma infra-estrutura de acolhimento aos visitantes. Hotéis, pousadas, restaurantes, disciplinamento do transito, asfaltamento de ruas, etc., divulgação da nossa cidade, pelos meios de comunicação social através da televisão e rádios, jornais e revistas com edição nacional, com folders nos hotéis e agencias de viagens. Somos uma cidade privilegiada, com estradas asfaltadas ligando o Estado de Alagoas, por onde transita centenas de pessoas diariamente, pois, fazemos limites com a cidade de Palmeiras dos Índios. Temos vários cartões postais, que podem e merecem ser explorados pela Secretaria de Turismo do Município, junto com a comunidade bom-conselhense.

Transcorridos todo este tempo, nada foi feito e nem acrescentado para o desenvolvimento do Município, sai Prefeito, entra Prefeito e tudo permanece do jeito que é sem uma visualidade da nossa terra em outras terras.

Ciceroneamos, eu e a minha esposa há pouco mais de quarenta e cinco dias, visitando a minha querida terra natal, na companhia de dois primos, Ilo e Fátima, netos de Francisco Vieira Bello e bisnetos de Manoel Dionísio (Mestre Véu) que desejavam ardentemente conhecer a cidade dos seus avô e bisavô. Chegamos a Bom Conselho por volta do meio dia de um sábado, almoçamos em uma churrascaria a beira da rodovia que liga Bom Conselho a Palmeira dos Índios. Fomos para o centro da cidade, onde alguns estabelecimentos comerciais já tinham encerrado as suas atividades. O desejo expresso por estes primos, moradores na cidade de Carpina, era conhecer a cidade onde nasceram o seu avo e para conhecer as obras do seu bisavô fizera e deixou como lembranças, que ainda permanece na Matriz da Sagrada Família. Estacionamos na Praça Pedro II e seguimos a pé para a Matriz, que se encontrava fechada. Por sorte nossa, uma janela estava aberta e por generosidade de um coroinha, deixou-nos entrar. O altar mor, recém restaurado, em dourado brilhante, o qual foi construído por volta do inicio dos anos 30, pelo meu avô e bisavô. Meus primos que ficaram encantados com obra. A paisagem religiosa no teto, pintado pelo Tio Chiquinho Correntão, lá estava sendo admirado por estes primos, pela obra de arte realizada pelos seus parentes. As pinturas das paredes e piso em mosaico é desta época. Fomos até a sacristia, o móvel onde se guardam os paramentos, alfaias e objetos sagrado, também foi confeccionado pelo seu bisavô, e se encontra em estado de boa conservação. Os altares com imagem Cristo carregando a cruz e a imagem da Nossa Senhora das Dores foram admirados por estes primos. Vi a escada que levava para o coro e a torre onde badalava os sinos nas missas e nos enterros badalando o “sinal”. Ali me recordei da torre do relógio, que tinha acesso subindo uma escada. Pouco de nós, na época da criancice tinha coragem de galgar degrau por degrau até o citado relógio. Era um perigo para a meninada.

Após este breve passeio pela Igreja, fomos até a Serra de Santa Terezinha, para admirar o panorama da cidade lá do alto. Foi uma odisséia, primeiro, porque passamos com muita dificuldade, pelo beco que liga a Rua do Caborje e Barão do Rio Branco, pela toldas e frutas estendidas no calçamento. Mas o pior foi o aperreio da minha prima ao subir para a Ermida dirigindo a sua Ecosport. A terra solta na subida, cheia de cascalinho, e estrada estreita somente para um veiculo, deixou-a nervosa a ponto de parar no meio do caminho. Finalmente, chegamos pátio da ermida com suas portas fechadas. Tudo ermo e abandonado. Nenhuma alma viva. Tudo fechado. Desejamos mostrar o museu do Padre Alfredo Damaso, os objetos sagrados, as alfaias, e os paramentos e a imagem de Santa Terezinha, se possível galgar os degraus do primeiro e segundo terraço para admirar a beleza da nossa terra. Sentíamos somente o vento brando desalinhando os nossos cabelos e solvendo o ar puro da tarde. E o medo de sermos abordados por algum elemento, deixou-nos temerosos e nervosos, e este medo aumentou quando chegou um carro com dois homens. Descemos apressados, pensando somente em não encontrar nenhum veículo subindo a Serra. Um alivio quando chegamos em terra firme.

Visitamos a feira, compramos alguma coisa como lembrança e alguns frutos, como abacaxi, melancia, mangas e bananas. Provamos do “quebra-queixo” de coco e castanha. Tomamos caldo de cana. Passamos em frente do que se diz “Rodoviária” em total desorganização, com motos, Kombi e carroças de animais, impedindo o trafego de veículos. Não sabíamos por aonde ir, para o Corredor, pois, não existe ou se existe alguma sinalização não vimos e deve estar escondida. Descemos pelo Corredor (olhei ao lado, cadê o Cinema Rex, com seus cartazes dos filmes?), em um transito complicado, sem nenhuma organização. Chegamos a Praça Santo Antonio (Alto de Santo Antonio com o seu teatro inacabado) tivemos que voltar, pois o transito de veiculo estava interrompido pela obra que a Prefeitura está fazendo. Fomos ao Colégio de Nossa Senhora de Bom Conselho visitar o tumulo de Frei Caetano de Messina e a linda Capela, tudo fechado. Somente ia abrir às 19 horas para um casamento. Estivemos no Convento Capuchinho, fechado. Tiramos dezenas de fotografia nos lugares visitado, da bela entrada de acesso ao Colégio, com as suas palmeiras imperiais. De lá fomos visitar o Chefe, João Batista de Oliveira, recebido por Socorrinho na porta da sua casa com aquele sorriso. Entramos e lá fomos ter com o Chefe em seu escritório, onde demonstra ainda, apesar da idade, o bom humor mostrando o trabalho grandioso de fazer bonecos de barros ou de cera. Mostrava orgulhosamente a sua fazenda, bois, carneiros, cavalos e cavalheiros, cercas e uma casa, todos os figurantes de cera. Mostrou-nos, com aquele sorriso largo, os volumes do seu “Diário” escrito desde inicio do seu trabalho como Chefe dos Escoteiros, com fotografia raríssima e histórica que merece atenção para uma apresentação ou mesmo guardarem em uma biblioteca para aqueles que quiserem saber um pouco da vida deste grande homem. De lá fomos à bela casa de Zé Maria, primo casado com a artística plástica Nara, onde detém grandes obras da artista em quadros enormes nas paredes da sua bem cuidada casa, que nada mudou nestes últimos anos, bem como o seu atelier.

Saímos por volta das 5 horas da tarde para Garanhuns, e no percurso estes meus primos admiraram a paisagem bonita que detém a cidade dos seus avôs, apenas criticaram a falta de uma criatividade para dotar melhor a cidade de alguns pontos que merecem ser visitados pelos visitantes. Ficamos de voltar lá para o mês de outubro, não mais em um sábado e sim num dia comum acreditando que neste dia visitaremos com mais calma a cidade.

José Antonio Taveira Belo

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