segunda-feira, 23 de maio de 2011

O Lulismo e o Pastoril Chinês



Faz muito tempo que não faço um “pastoril” neste blog. Para quem não sabe, um “pastoril” é o nome que se dá a um dialógo entre dois autores, ao escreverem deslocado no espaço/tempo, onde se dá a cor vermelha e azul a cada um. Sem nenhuma conotação de valores sobre as cores. Algumas vezes quando entra uma Diana ou um Anjo, usa-se mais de duas cores. E nunca na história deste país, fiz um “pastoril” quase todo dentro de uma harmonia de ideias, só quebradas raras vezes.

Neste caso me arrisco a fazer um “pastoril” com o Alon F. (não forcem a ir copiar e colar seu segundo nome estranho), mas podem ir em seu Blog (aqui), no artigo intitulado “Exemplo a imitar”. Vamos ao “pastoril”, o Alon é do azul e eu sou do encarnado.

Em qualquer avaliação séria, a comparação do desempenho escolar de estudantes brasileiros e chineses dá um resultado, digamos, comparável ao que seria o placar de um eventual jogo de futebol entre o catalão Barcelona e o pernambucano Íbis.

Eu só senti pela parábola futebolística, esporte que não acompanho muito, mesmo o que se pratica em Pernambuco. Quase que pedia ajuda ao craque Jameson Pinheiro, mas esperei ler o próximo parágrafo.

Antes que me acusem de preconceito, defendo-me argumentando que o Íbis é paradigma de propaganda da própria ruindade. Deve haver algum time da Catalunha que perderia fácil para Santa Cruz, Náutico ou Sport, mas infelizmente não conheço.

O Alon ainda se fixa no caso dos times pernambucanos, e agora eu entendi tudo. Inicialmente, pensei que ele fosse se referir ao caso do Boi do Sport que ninguém aguenta mais ouvir berrar pelos blogs afora. O que ele quer dizer é que comparar o desempenho escolar do estudante brasileiro com o do estudante chinês é a mesma coisa que comparar Jesus Cristo com Zé Buchudo. E nisto eu concordo, já que ele mostra no segundo parágrafo que está falando de média

Voltando à coluna, a supremacia chinesa sobre nós não chega a espantar, pois aquele país disputa com os Estados Unidos e os melhores centros europeus e japoneses a liderança em formação e educação.

Alguém, fora o Fernando Haddad e seus petistas voadores, discorda? Penso que não. E é por isso que eles estão se achando “inadequados”, pois “errados” nunca podemos ser.

Enquanto isso nós patinamos.

Patinamos porque não precisamos mais de educação formal, nem para ser presidente, e nem educação doméstica para ser senador ou senadora. Vejam o caso Requião e do Sarney. O cara toma um gravador de um jornalista, tira a fita, entrega-o de volta e diz muito obrigado, e o outros diz que ele ainda foi muito educado.

As melhores universidades chinesas já ombreiam em qualidade com as do assim chamado Primeiro Mundo. A ultrapassagem é apenas questão de (pouco) tempo.

Alguma discordância? Claro que não, porque os Perfeitos Idiotas Latinos Americanos (PILA), ainda pensam que os Estados Unidos são o alvo a abater. Se não podemos nós por que não a China?

As nossas? Vêm muito atrás.

E põe atrás nisto. O Brasil apesar de ter ultrapassado nos últimos anos a Holanda e a Rússia na produção de artigos científicos no mundo, está apenas na 13ª posição no mundo, abaixo de países com a Índia, Austrália e Coreia do Sul. Como o jornalista quis dizer, os Estados Unidos vem em primeiro e a China em segundo. Talvez, pelo modo petista de argumentar se diga que evoluímos em relação ao governo de FHC. Pois faz tempo que eles não olham para frente.

O moderno progresso chinês não brotou espontaneamente. É resultado também de uma ruptura política. A ruptura com a Grande Revolução Cultural Proletária dos anos 60 e 70 do século passado.

E o grande problema é o que poderíamos ser se tivéssemos feito como os chineses. Não é possível resumir aqui o que foi a revolução chinesa e o autor merece continuar.

Resumir é sempre complicado, mas aquele movimento decorreu de uma luta interna no Partido Comunista, entre o então líder Mao Tse-tung e os adversários “direitistas”. Resumindo, Mao radicalizou a revolução para concentrar poder.

Aqui, mutatis mutandis, o Lula abrandou o petismo, gerando o Lulismo para concentrar o poder nas mãos de uma esquerda decaída e de uma direita arrendida. Esta luta, apesar de perto do round final, com a vitória das hostes lulistas, com o advento do poste, espera-se que para o bem do Brasil, haja uma reação, dos brasileiros.

Segundo os conceitos da Revolução Cultural, a luta de classes que penetra todas as esferas da atividade humana se manifesta, em consequência, também no campo da cultura.

Isto é, a classe que está no poder, quando dele é apeiado por uma revolução, não perde todo seu poder, pois todos os tecidos sociais, e neles a cultura e os processos de educação estão eivados de odor da classe antiga. A lógica então é retirar item por item do arcaísmo ideológico anterior, pela as novas classes dominantes.

E é necessário produzir uma nova cultura, das classes oprimidas, para contrapôr à das classes opressoras. Mas aí surge o problema. O que seria essa tal cultura dos opressores, a cultura a eliminar?

Aqui no Brasil, o lulo-petismo ainda não tem uma definição clara do que é ruim ou do que é bom para ficar ou seguir com ele. Somente, no último governo Lula, houve um conhecimento de que o que tem valor para ficar é o pobre, e quem deve perecer é o rico. Gerou-se o “pobrismo”. Para não dá uma impressão bíblica às suas ideias, eles evitam dizer, como Jesus disse que pobres sempre existirão na face da terra. Então chamam os pobres de povo. Então é governo do povo pra lá, governo do povo prá cá, e nada mais passa debaixo dos céus do que o povo. O que vem a ser esta entidade é de pouca importância.

Bem, já que segundo o marxismo a ideologia dominante numa certa formação social é a ideologia da classe dominante, o critério maoísta-reducionista -bem desenhado na Revolução Cultural- deixa sob suspeição todo conhecimento pré-existente.

A mesma coisa passa-se com o lulo-petismo. Ideais preexistentes, sobre homossexualismo, raça, gênero, igualdade, poder, etc. são inadequadas para o momento em que o Brasil adentra o rol das nações que odeiam os Estados Unidos e amam o Irã. Fidel sim, Obama não. Daí, para propor criminalizar tudo que a classe antiga achava certa, é um passo. Enquanto não houver o completo domínio da classe agora dominante, haverá um soldado petista pronto para lhe espinafrar, onde você, já cinquentão, meio caduco e ainda querendo aprender o português na escola dentro da norma culta. É um preconceituoso linguístico. Imagine, eu que defendo a criação de uma língua brasileira não sofrerei, se descobrirem que esta ideia venha de FHC. Deus me livre. E já com medo de tudo digo: Nada contra o livro que diz que “os livro” está certo, mas pelo menos que não se ensine isto nas escolas, nem aplaudam o Lula por falar assim. "Menas, companheiros, menas!".

Não será exagero dizer que hoje a China é o que é porque lá atrás enterrou esse dogmatismo, e bem enterrado. Quando Mao morreu o PC chinês rompeu com o maoísmo, e o entorno mais próximo do ex-líder foi removido das posições de poder.

Aqui no Brasil, estamos longe de enterrar o dogmatismo lulo-petista. Também não parecemos nada com a China. Lá com a morte de Mao o país adota a política das Quatro Grandes Modernizações (da indústria, da agricultura, da ciência e tecnologia e das Forças Armadas). São criadas Zonas Econômicas Especiais (ZEE), abertas a investimentos estrangeiros, e é incentivada a propriedade privada no campo. As reformas propiciam à China vigorosa recuperação econômica, com o crescimento médio de 10% a partir de 1978.

Aqui, foram propostas a duas grandes modernizações, o Bolsa Família e o Fome Zero, e foram fechadas as portas aos americanos, porque não trataram bem o Lula nos encontros internacionais. E tivemos o “boom” de consumo e de ascensão das classes menos favorecidas que mantiveram o lulismo no poder com a Dilma Roussef.

Tudo para que o país pudesse avançar.

Claro que aqui o avanço é de um tipo diferente. A nova presidenta prometeu colocar todo mundo na classe média.

Quem tiver curiosidade deve pesquisar pela trajetória da “Gangue dos Quatro”.

Não é preciso nem pesquisar a “Gangue dos Quatro” para entender o que se passa no Brasil, pois o meu conterrâneo Lula, que dizia na época nada saber, agora diz mesmo que ela não existiu. Aqui deve-se pesquisar a “Gangue dos Quarenta”. Hoje, além de não perderem o poder, agora eles estão ainda mais forte. Tanto que, em nossa cidade, minha e do Lula, agora quando alguém está fraco e deprimido, receita-se elixir de “mensalão”. Este sim, dá poder e fidalguia.

Os resultados da experiência chinesa ajudam a defender por que o Brasil precisa se livrar rapidamente de um certo maoísmo tardio, inclusive no terreno educacional. Para o qual a libertação dos explorados e oprimidos passa não pela superação da ignorância, mas pela revelação da beleza nela contida.

Como dizia meu pai: “Palavras loucas, ouvidos moucos”. Não se mexe em time que está ganhando. Quando apreciamos a beleza do congresso que elegemos, e que ajuda a “Gangue dos 40” a comandar nossos destinos, para que mudar?

Daí que falar português errado seja bonito, por expressar a condição cultural dos oprimidos, enquanto explicar para a criança pobre que existe o certo e o errado, no falar e no escrever, é preconceito de classe.

Dizer que o Lula é um apedeuta é um crime de lesa pátria. O adequado é louvar suas qualidades e mostrar a mobilidade social pelo qual pode passar um operário no Brasil. E se para isto o Estado tem que financiar e indicar livros que só ensinam bobagens, tudo bem. E ainda tem gente que ainda critica minha proposta de uma língua brasileira. E como o Alon está correto até aqui, também está certo no restante do texto. Ganhou o azul. E o encarnado sai do “pastoril”. Voltando lá no final para os cumprimentos ao distinto público.

Em termos práticos, o resultado é o reforço das diferenças sociais. O culto do pobrismo só atrapalha mesmo é os pobres.

Quem tem dinheiro pode procurar para o filho uma escola particular que ensine bem português, matemática, ciências, história, geografia. Quem não tem e depende da escola pública vê diariamente o filho voltar para casa sabendo o mesmo tanto que sabia quando saiu pela manhã.

O resultado prático do pobrismo é o pobre servir de cobaia no laboratório do relativismo. Claro, pois não consta que os espertos defensores do vale-tudo pedagógico deixem seus próprios filhos, netos ou sobrinhos à mercê.

E assim o suposto impulso revolucionário revela o que é, na essência: o culto da acomodação e da inércia. Ainda que arrogantes. Uma autêntica pedagogia da opressão.

E mascarada da forma mais cruel, com tintas libertárias.

Os chineses, que inventaram essa coisa, decidiram livrar-se dela rapidinho. Talvez devêssemos imitá-los nisso. Os resultados recomendam.

Boa noite meus senhores todos e boa noite senhoras também. Até agora só imitamos Hugo Chaves e Fidel. Enquanto este último já começa a imitar a China. E nós na rabeira.

Zezinho de Caetés

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