segunda-feira, 2 de maio de 2011

O timbu foi desenterrado e o Náutico enterrado



Fazia tempo que não comparecia aos gramados. Ontem eu fui. Ainda tinha uma fezinha, mesmo pequena, de que o timbu desenterrado na ilha ainda não era o verdadeiro. Aquele que os timbucanos enterraram anos atrás para garantir o hexa, continuava debaixo da terra.

Estádio lotado, torcida em festa, Náutico com seu uniforme tradicional, se é que isto ainda existe, pois vemos mais propagandas do que qualquer referência ao time. Mas é sempre empolgante ver aquela multidão, se enganando e torcendo pela Shineray, que não sei o que é, porém sei que está tanto na camisa do Náutico quanto na do Sport. Deveriam pelo menos ter patrocinadores diferentes. Aliás, hoje o futebol chegou a uma situação de profissionalização tal, que se no vestiário os jogadores trocassem a camisa, e entrassem em campo, a torcida continuaria torcendo da mesma forma.

Tanto que vi o primeiro gol, mas com não sei o nome de nenhum jogador do Náutico, isto é, não associo o nome à pessoa, não sei quem fez, mas, o meu coração se encheu de esperança. O time ainda dava mostras de que o timbu continuava enterrado e o trabalho do Pai Carlos tinha sido em vão. Entretanto, minutos depois, uma bala perdida atingia o sonho dos alvirubros. Sim, ele mesmo, o único que conheço do Sport, porque estava no Náutico no ano passado, o Carlinhos Bala, fez um gol.

Tristeza nas arquibancadas, mas não morte completa da esperança. Mas, para mim era suficiente. No fim do primeiro tempo, tirei meu time de campo. Fui para casa, com o intuito de ver o restante do jogo do local que antes não devia ter saído, minha casa e na minha TV, que agora é uma 32’, digital, com HD (estou na nova classe média) e tudo como agora a Globo transmite as partidas de futebol. Vai demorar agora para eu entrar naquele ambiente outra vez, com todos os riscos que corremos, tanto na entrada quanta na saída. A probabilidade de ser assaltado é alta, e só justificada quando o nosso time ganha. Agora esperarei, se houver, a Copa do Mundo em São Lourenço. É ver prá crer.

Como todo torcedor do Náutico, minha esperança era manter a perspectiva do hexa exclusivo. Infelizmente, comprovei em casa, num ambiente mais aconchegante que isto agora depende do Santa Cruz. Este time, que cresceu muito depois que o Fernando Bezerra Coelho deixou sua presidência. O Santa ainda pode salvar esta esperança. Quem sabe sem o Ministro para Assuntos Regionais, é até possível. Os torcedores do Santa esperam que ele nem apareça no jogo, pois “pé-frio” ele é muito.

Se o Sport for campeão, eu já havia dito isto, é pelo formato do campeonato pernambucano, que dá mais importância aos “níqueis”, do que ao esporte. Se somarmos os pontos obtidos pelos times durante o campeonato, a final seria entre Santa Cruz e Náutico. Mas, isto cheira a argumento de perdedor, seja ele o futebol ou eu pobre torcedor triste.

Depois do jogo eu comentei em casa que, se fosse fácil mudar de clube quanto é fácil mudar de partido político, eu hoje já estaria torcendo pelo América. E isto vai terminar acontecendo, pois agora só mudam as cores, os jogadores são os mesmos, só fazendo rodízio. Sei que a Lucinha Peixoto, também deve está triste (como o Diretor Presidente está exultante), quem sabe ela não aproveita, e junto com um partido político, ela crie um time novo. O nome eu já sugiro de cara: “Vera Cruz”, e teria que ter um jogador chamado Pilão, com mais de 120 kg. Junto com Geraldo Grade, Elisênio, Zé Dileu, Esdras, Josias, Adeildo, Zezinho Macaxeira, João de Vitinho, Zé Milton, e tantos outros que conheci em Bom Conselho, chegaríamos ao hexa, até sem timbu enterrado.

Jameson Pinheiro

Nenhum comentário: