quarta-feira, 11 de maio de 2011

RECIFE ASSUSTADO



Na tarde/noite de ontem, o recifense viveu um caos. O noticia ou boato do rompimento da barragem de Tapacura trouxe para a população momentos de medo, pavor e angustia. Na Avenida Agamenon Magalhães, além do trafego engarrafado como sempre acontece no final de expediente, principalmente, no trecho da Embratel até o Hospital Português, e vice-versa, foi um horror. A chuva que caiu nos últimos dias contribuiu para alagamento na Avenida, piorando a situação e o caos no transito. Passamos por momentos difíceis e de aflição dentro do veículo. As pessoas correndo de um lado para outro, os carros com suas buzinas estridentes querendo avançar e avançando os semáforos, faros alto, gritos dentro dos carros, muitos querendo abandonar os veículos a própria sorte, os ônibus com pessoas gritando fora de si totalmente lotados, querendo saltar pelas janelas, muitos abria a porte e saiam correndo para se abrigar em prédios próximos, como o Hospital Memorial São José. Outros ficavam paralisados sem tomar nenhuma atitude. Outros riam e pediam que todos tivessem calma. Mesmo assim mantivemos a nossa calma ouvindo o radio ligado na Radio Jornal do Comercio que procurava acalmar a população informando que o governo tinha garantido que tudo não passava de boato criminoso, pois tudo estava dentro da normalidade que não havia nenhum perigo, que apenas abrira a comporta da barragem de Carpina para diminuir o excesso da água vindo da chuva e que o sangradouro da Barragem de Tapacura, estava sob controle, apenas dava vazão à água acumulada e que esta vazão despejada no rio, aumentou o seu volume e a correnteza do Capibaribe.

Infelizmente a população não acredita mais no governo. As promessas feitas em campanha são somente para iludir as pessoas e se elegerem e depois esquecem o povo e deixa ao “deus dará”. A Região Metropolitana do Recife sofre as conseqüências de inundações, todos os invernos. A população carente é que mais sofre, com acidentes e desmoronamento de barreiras soterrando casas e ceifando vidas. Quatro anos depois voltam com as mesmas promessas. A população esquece facilmente e conduz os mesmos aos cargos públicos, o que demonstra insensatez.

Passado 36 anos o povo ainda sofre do mal do século passado e que neste inicio de século está se alastrando – A Síndrome do Pânico –

Lembrei naquele momento de aflição dentro do carro, com o boato ocorrido em 1975. Trabalhava, nesta época, na Filial da Synteko S/A, no Edifício Igarassu, no Pátio do Carmo. Estava nesta manhã, no edifício dos Correios, quando um alarme falso soou na Avenida Guararapes, noticiando que a barragem de Tapacura tinha se rompido e que água em grande volume vinha destruindo tudo (se fosse neste tempo seria Tsunami) e que já se encontrava na Avenida Caxangá. Bairros inteiros estavam sendo destruídos pela força da água, trazendo e arrastando carros e invadindo as casas e, por conseguinte pessoas perdiam suas vidas.

Foi aquele desespero, gritaria pelas ruas, e muitas pessoas correndo de um lado para o outro, sem saber para onde se dirigiam. Pessoas abandonavam seus carros na própria avenida, os ônibus elétricos e a diesel paravam sobre a ponte Duarte Coelho e os motoristas corriam em direção aos prédios do INPS, Correios e SUDENE para se abrigar. Um deficiente louco para subir as escadarias do prédio dos Correios, precisando ajuda. Uma mulher grávida passando mal, sentada nos degraus e sendo socorrida. A policia não sabia o que fazer se orientava e pedia calma a população ou se protegia, por eles mesmo diziam para si “sou também humano”, mais o dever me obriga a demonstrar coragem e firmeza mesmo com medo do que podia acontecer.

Eu no momento de desespero corri para o Pátio do Carmo, pela Rua da Palma entrando pela Rua frei Caneca, ladeando a Casa Viana Leal subindo apressadamente pelos degraus até atingir o quarto andar, enquanto os elevadores estavam lotados. Subi o restante dos outros andares até atingir o décimo segundo andar. De lá telefonei para minha família que morava no terceiro andar de um edifício na Rua São Vicente, no bairro da Tamarineira, alertando a minha mulher para ninguém descer, retirando as crianças do pátio.

Não houve mais expediente nas repartições públicas, o comércio fechou suas portas e todas as pessoas queriam ir para suas casas, no entanto não havia transportes somente depois de algumas horas que os boatos foram desfeitos, lentamente o transito foi ficando normalizado, mas ficou o MEDO na população que enraizou até os dias de hoje.

José Antonio Taveira Belo / Zetinho

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(*) Foto da Internet - Estádio do Arruda em 1975 - (Blog História se Conta Assim)

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