quinta-feira, 30 de junho de 2011

Democracia representativa e o jogo de pôquer



Hoje fiquei estarrecido com as notícias que me chegam do planalto central do país e mais especificamente do Palácio do Planalto. Elas me dizem que Dilma Rousseff agora joga pôquer, numa mesa em que se sentam também os líderes governistas na Câmara, representado pelo Henrique Alves do PMDB, dirigentes do BNDES, e outros menos interessados no jogo, ou talvez, blefando que não estão.

No jogo estão envolvidos R$ 4 bilhões, que representam o os restos a pagar de um jogo em que ainda estava sentado à mesa o meu conterrâneo Luís Inácio. Quando Dilma pegou nas cartas, repassadas a ela por Lula e viu que ele não tinha nem pelo menos um par de valetes, ficou aperreada, mas começou a blefar, antes da posse dizendo que agora tinha nas mãos um jogo que valia mais do que um “Flash”, e talvez fosse um “Four”, por faltava ainda abrir uma carta.

Diante deste jogo tão bom, os parceiros começaram a apostar em seu cacife, e ela prometia que era só pagarem prá ver, que ela mostraria um país sem miséria, e que além disto, todos que não pagassem para ver seria recompensados, com algumas fichas durante o jogo. Com a oposição fora da mesa e fora da sala do jogo. Tudo parecia às mil maravilhas. Estava tudo dominado, como se diz.

O que ele não sabia era que o jogo, não era um pôquer comum. Tinha suas peculiaridades democráticas de um sistema representativo, onde os representantes do povo no jogo, estão mais interessados, nas fichas que eles ganham, do que em que elas serão transformadas para seus representantes.

Neste jogo, no momento estão envolvidos os seguintes lances. A Dilma, por considerar que seu cacife não é tão alto assim, e que suas promessas poderiam prejudicar o país com um todo, tenta jogar pesado dizendo que não vai entregar o R$ 4 bilhões de fichas aos seus parceiros de jogo. Seus parceiros dizem que se não ganhares estas fichas, vão pagar para ver e não votarão mais em coisas de interesse do governo. Dilma retruca e diz que isto é chantagem, ou blefe, numa linguagem mais apropriada e diz: “Se acham que vão me dobrar na base da chantagem, estão enganados”.

E lá vai ela com sua inexperiência política a dá murro em ponta de faca, ou melhor, mostrar que não está blefando quando sorrir amarelo. Os parceiros não acreditam. Penso que só vão acreditar quando elas chamarem o Lula. Aquilo sim, sabia blefar como ninguém, e o fez durante 8 anos. Chegou até a dizer que o mensalão nunca existiu, sem nem mesmo piscar. E os parceiros de jogos acreditaram. Vamos ver em que dá.

Mas o imbróglio está formado no jogo do poder, que é tão bem descrito pelo Blog do Alon num texto chamado de “Não era prá está assim” e que melhor do que eu descreve este jogo. Leiam:

“O truncamento do processo legislativo priva o governo da boa digestão das ideias. Por geniais que sejam os circundantes do poder, eles não serão jamais capazes de expressar a complexidade social

Governar sem precisar dar satisfação é — ou deve ser — uma delícia. Assinar leis sem ter que gastar fosfato sobre como aprová-las no Congresso, também. Substituir o debate na sociedade pelas disputas intramuros no governo, ou entre os fiéis, então, nem se fala.

Aparentemente, a presidente Dilma Rousseff acreditou que a base amplíssima a protegeria das disputas políticas no parlamento. Circunstância que apenas acentuou certo traço beligerante da personalidade política do governo de sua excelência.

Com vantagem maciça no Legislativo, tratar-se-ia apenas de governar com os dela, e de esperar pelo cumprimento das ordens palacianas. Nascidas, naturalmente, da convicção de estar fazendo o certo pelo povo e pelo país.

A oposição estaria constrangida pela massacrante aritmética e pela dependência dos governadores tucanos e democratas ao dinheiro federal. Já a base iria contentar-se com o tratamento orçamentário diferenciado. Farinha pouca ou muita, meu pirão primeiro.

E a implementação desse projeto, na prática? Vai mais ou menos. Já tratei aqui de como a oposição social acaba se manifestando no Congresso, nem que precise nascer da própria base governista. O Código Florestal ficará como exemplo didático.

Mas há outra variável. As dificuldades políticas do governo não nascem apenas da inevitabilidade de as divisões penetrarem as Casas, especialmente a do povo. Surgem também da falta de mecanismos de digestão dos problemas.

O processo democrático tem esta vantagem. Quando uma ideia é colocada para moer na sociedade, e no Parlamento, as enzimas ajudam a preparar o material para a necessária absorção. Separam, por exemplo, os nutrientes dos dejetos.

O truncamento do processo legislativo priva o governo da boa digestão das ideias. Por geniais que sejam os circundantes do poder, eles não serão jamais capazes de expressar a complexidade social.

Inclusive pela tendência natural de concordar com o poderoso, já que manda quem pode e obedece quem tem juízo. Os yes men e as yes women proliferam nos palácios como praga.

Apesar de, pasmem!, o poder estar sujeito a erros.

O governo diz que as resistências ao mecanismo diferenciado das licitações na obras da Copa surgiram porque as pessoas não entenderam direito as óbvias vantagens das alterações.

Se o governo tivesse colocado a coisa para debate com tempo suficiente, e num ambiente de normalidade política, o processo de sedimentação se encarregaria dos devidos esclarecimentos e das naturais correções.

Com uma vantagem adicional. Cada negociação no mérito embute a possibilidade de economizar recursos orçamentários necessários para garantir a efetividade do rolo compressor.

Mas não é da natureza desta administração. Já se ensaia o próximo conflito, na reforma tributária. Os governadores desconfiam que serão servidos como prato principal do jantar para o qual são convidados pela presidente.

A federação, tadinha, balança perigosamente à beira do beleléu.

Aqui ameaça reproduzir-se o impasse dos royalties do pré-sal. Onde o governo se acertou com os estados produtores e achou que bastava acionar a ignição da máquina.

O resultado é Dilma estar sob ameaça de derrubada do veto, o último recurso do antecessor diante da derrota.

Dilma está pendurada no favor que lhe faz o presidente do Senado de não incluir o assunto na pauta. Não era para estar assim.”

Só para terminar, eu diria que se a Dilma conseguir travar a sanha por cargos e verbas que assola este país, vindas diretamente do seus aliados, ainda pode transformar o jogo em favor do Brasil como um todo. O problema é que eu duvido muito que ela tenha cacife prá isto. E quando li que o BNDES está emprestando R$ 4 bilhões ao grupo Pão de Açúcar para comprar o Carrefour, eu só posso dizer: lá se vão as nossas fichas.

Zezinho de Caetés

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A GAZETA 290 - Quem será o Palocci de Bom Conselho?



Neste início de semana recebi do Diretor Presidente um exemplar da A Gazeta, administrada pelo preclaro jornalista Luiz Clério. Já veio um pouco amarrotada e não sei de quem é a culpa, se do DP ou do Zé Carlos. Nestas horas, tenho vontade de começar a assinar este jornal da minha terra, e quase o fiz, dando meu endereço e tudo para a entrega. Foi bom não fazê-lo.

Da forma como hoje me tratam em Bom Conselho, com as tentativas de assassinato de minha pessoa por Felipe, meu menino, embora ainda virtual, me mete medo. Muitas pessoas sabem onde eu habito e nunca tive medo de ameaças, mas como dizia meu pai “prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”. E agora que, pelo justo e pelo certo, parti para a oposição ao governo do “povo”, e ao clima de coronelismo genérico que se formou na cidade, é melhor um ficar escrevendo do meu “bunker” e recebendo o jornal amarrotado.

Eu agora sempre frequento o Mural do SBC, que virou uma praça de guerra, inicialmente, saudável, entre meus fãs e os fãs de La Luna. Recentemente, o asno que assina pelo fã club de La Luna vem extrapolando em asnice. Chegou a propor que minhas críticas a La Luna fosse investigada pelo Ministério Público e outras autoridades. O asno(a) pensa que o MP é coisa de brinquedo. Seria a primeira vez na história deste país que alguém seria investigado por não gostar de um conjunto musical. Imaginem a cena:

- Senhora Lucinha Peixoto. O que a senhora tem a declarar em sua defesa?

- Defesa de que excelência?

- O fã club de La Luna lhe acusa de ter declarado que não conhecia o UvaPassa, e como a senhora sabe, isto é um crime, só comparável à senhora dizer que não gosta de Tiririca, pois ele hoje é deputado federal.

- Desculpe excelência, eu não sabia. Peço perdão, pois fui induzida pelo Ronaldo a dizer isto.

- O Ronaldo também será chamado a depor. Como a senhora pediu perdão sua pena vai ser a de trabalho comunitário. A senhora vai ficar na Praça Pedro II, ouvindo por 3 dias seguidos a entrevista do UvaPassa no Jô Soares e naquela parte onde La Luna fala de Bom Conselho, a senhora dará 3 pulinhos no ar segurando o retrato da Marcix.

- Só isso excelência?

- Claro que não, a senhora deve andar pelas ruas de Bom Conselho, procurando o Xico, e se dentro de 3 dias a senhora não me trouxer aqui, a pena será maior.

- Vale o Xico doido, excelência?

- Hummmm!!!!

Toma Lucinha Peixoto! Quem mandou não gostar dos artistas da terra. Mas, volto à A Gazeta.

A A GAZETA 289 traz um artigo meu chamado de “A GAZETA 287 – Voltei, Bom Conselho!!!” (pg. 7). Vejam senhores, que só falo neste jornal. Parece ideia fixa. Mas, desta vez o meu nome não foi citado, e ainda bem, nem o nome de ninguém. Poderia até incriminar o Jodeval, meu adversário político, por fazer isto, pois o texto, mais uma vez o malhava, mas não quero fazer isto aqui. Eu queria apenas o meu nome de volta.

O chato, nesta época onde houve uma tentativa clara de Felipe, meu menino, premido pela minha oposição à sua mainha, de me eliminar, é que fico pensando mil e uma causas para o fato. Estaria o Luís Clério tão certo de que o Felipe não mentiu, que resolveu abolir o meu nome do jornal, como fez o faraó com as tabuinhas do Moisés? Será que, mesmo que não tenha dado ouvidos ao Felipe, meu menino, ele quis encher a bola do Zé Carlos, insinuando que saíramos da cabeça dele? Será que o Jodeval seria já candidato certo a edil da cidade, com o apoio do jornal, e já começou uma tentativa de alijar-me do páreo?

Enfim, foram noites e noites mal dormidas deste que recebi o exemplar 289 do prestigioso quinzenário de Bom Conselho. Agora recebi o número 290, na esperança de que ele trouxesse uma errata conclamando o fato. Procurei, procurei e não achei. Se nenhuma das causas acima aconteceu, e pelo que me falam do senso de responsabiliade do Luis Clério, o pedido de desculpas virá no número 291.

Como sempre começo quando escrevo sobre o jornal, a primeira coisa a ler é o seu editorial, matando assim a saudade do Jodeval, que deixou o blog para entrar noutra história, ou, pelo menos, continuar nela, a de editorialista. E desta vez, procurei, procurei e procurei alguma coisa para falar mal dele no editorial, mas, graças a Deus ele não deu margem a isto. Eu é que faço minhas as suas palavras, de que “o melhor para todos é devolver o que nos foi tirado.

Imaginem senhores o Jodeval descrevendo a falta de segurança em Rainha Isabel como fruto do descaso das autoridades e do “roubo” de uma UTI que nos foi doada por uma empresa privada. Pois é. Levaram e ainda não trouxeram de volta, como eu já vi no Blog do Poeta, que seria ótimo se ele não desse tanto importância a cabritinhas, jumentinhas e lambada. Este editorial eu recomendo sua leitura. E se o Jodeval desse os nomes aos bois, começando pelo Conde Eduardo, passando pelo Isaltino Nascimento e Wolney Queiroz, e chegando na Mamãe Juju, ele estaria pronto para escrever no Blog da CIT.

Vejo que o Zé Carlos ganhou um espaço com a transcrição do artigo da minha amiga Caroline Berbick. Pelo menos neste artigo meu nome ganhou, a partir do Rio Grande do Sul, uma citação e eu agradeço a publicação, primeiro por causa da Carol (ainda não tive nem tempo de dizer isto a ela no Facebook) e em segundo por mostrar que a AGD e o Blog da CIT estão fazendo sua parte.

Gostei também de um artigo do Ruy Sarinho, com o qual eu duelava no Blog do Roberto Almeida, por ele ter a mesma doença do Jodeval. Quando estão aperreado ao invés de se pegar com a Virgem Maria se pegam com a Dilma Roussef. Fora isso o seu texto é interessante. Vi também o Hélio Urquisa lembrando sua filha Máguida sobre quem, em momento mais triste, eu já escrevi. Lembranças tristes que vão ficando normais e depois alegres por se entender que foram cumpridos os desígnios de Deus.

Quanto à peleja, pequeniníssima em relação as minhas, do Zé Carlos com o Sr. Ccsta, e que promete crescer agora com o texto do primeiro sobre umas defecadas que deram no camarote da prefeita, o Zé Carlos tem toda razão, e o Sr. Ccsta que é renitente no erro, mas o reconheceu.

Finalmente eu li a coluna do Cícero Ranzi, que apesar de as vezes ser ranzinza, desta vez até que faz uma pergunta intrigante e interessante a partir da comparação do caso Palocci, no governo federal e de uma prole que ele deixou em Bom Conselho. Cito-o:

Tem gente com características semelhantes, ocupações mil, e gosta de um dinheirinho fácil. Seu patrimônio vem a cada dia aumentando embora seus ganhos declarados tenham diminuído. Ainda tem mais coincidências particulares que nos levam a pensar na mesma árvore genealógica. Já ia esqucendo de dizer que a corrupção e o desvio de dinheiro lhes são chegados. Sendo fato ou coincidência, essa escola não pode funcionar aqui no sacrossanto lar de Dantas Barreto. Vade retro. Ambos são comandados por uma mulher ou será que comandam a mulher? A pergunta que não quer calar! A imprensa descobriu o patrimônio de Palocci de Brasília e quem vai revelar o patrimônio do Palocci de Bom Conselho de Papacaça?

Eu nunca imaginaria dizer isto, e que Deus me perdoe: “Me ajuda Zé Pilintra!”

Lucinha Peixoto

terça-feira, 28 de junho de 2011

A Parada Gay, a PAPACAGAY e os sonhos...



Quem me lê, e graças a Deus já são muitas pessoas, sabe que sou uma das organizadoras da PAPACAGAY, que é uma parada ainda programada das pessoas Lésbica, Gays, Bissexuais, Transexuais e Simpatizantes de nossa terra, que para facilidade de comunicação, eu chamo todos de Gay. Esta ideia me surgiu há alguns anos atrás quando vi, tanto as pessoas gays, quanto aqueles que não o são, como eu, mais simpatizam com o movimento, agindo no sentido de acabar com os preconceitos existentes contra quem tem uma orientação sexual diferente da maioria.

Travei um sério debate sobre a justeza de minhas ideias a respeito, principalmente com aqueles religiosos, como eu, e que baixam a crista para tudo que as autoridades eclesiásticas nos dizem ser o correto. Em termos bíblicos tanto há argumentos contra como a favor do homossexuailismo, que não é uma doença e nem mesmo uma opção. O indíviduo nasce gay e morre gay, da mesma forma que eu nasci mulher e morrerei mulher. Muitos vivem enganados ou amedrontados dentro de um armário por anos, às vezes, nunca saem deles, a não ser para o armário final, que é o seu caixão. Lutar para uma saída fácil, correta e necessária para a felicidade é a luta que eu apenas comecei em Bom Conselho.

Minha simpatia pela causa gay vem do fato de que esta minoria sofreu e ainda sofre muitos preconceitos, principalmente, no meio religioso, embora também, o tenhamos, com toda ênfase, em terras considerada de machões como é Bom Conselho. Até o Pedro de Lara, que sempre foi um bom artista, fazia o gênero machão empedernido para ganhar audiência. Eu nunca tive nada contra, pois sabia de fontes relevantes que aquilo era apenas um tipo como qualquer outro personagem artístico, e que ele jamais discriminou os homossexuais.

A ideia do incentivo a uma parada gay em Bom Conselho surgiu junto com minha outra de me candidatar a vereadora da cidade, e que teve, até agora muita repercussão, inclusive alguma ciumeira de concorrentes ao mesmo cargo, ou mesmo de aspirantes a cargos majoritários, de quem eu divergia politicamente. Hoje, já declarei antes, não sou mais candidata, pelo menos em 2012. Embora continue na luta de incentivar a parada gay, a que chamei, por motivos óbvios, de PAPACAGAY.

Sem minha candidatura, eu sei que o movimento perde um pouco a sua força, pois todos me esperavam, pessoalmente, este ano para sair à rua. Mas, eu, depois de ver ontem a parada gay, em São Paulo, a maior do mundo, não posso como diz um filho meu, “deixar a peteca cair”. E sei de boas fontes que muitos já organizam a parada para o próximo Encontro de Papacaceiros, e que muitos dos componentes já desfilaram, embora não com a desenvoltura e abertura que deveriam, agora durante o Forróbom.

Eu aproveito este momento de lembrança, por ter visto ontem, no Fantástico da TV Globo, um membro de nossa igreja criticar a parada por levar imagens de santos para a avenida e os associarem ao movimento gay. Eu também sou contra esta prática. Uma coisa é ser gay outra coisa é ser iconoclasta. E isto se aplica a qualquer atitude ou qualquer movimento de minorias que, ao invés de lutar pelos seus direitos, passa a não respeitar os dos outros, como o são as crenças religiosas, sem uma limitação ética que deve ser dada pelos costumes, preceitos cristãos e arcabouço legal.

Não há como fugir de exemplos para tratar um tema tão difícil quando determinados tipos de preconceitos estão sendo discutidos. Qualquer tentativa de generalização é precária e muitas vezes cruel com todos envolvidos. Hoje não deveria ser mais possível expulsar homossexuais mesmo de um templo, e menos ainda de estabelecimentos mundanos. Isto é uma coisa. Outra é defender que todos os tipos de atitudes amorosas entre pessoas do mesmo sexo sejam permitidas nesses ambientes. Por que? Porque para pessoas de sexos diferentes também não deveria serem permitidas. Eu mesmo me sentiria chateada se chegasse numa igreja e encontrasse um casal hétero, como se dizia em minha época, “xumbregando” (hoje é ficando). Também não gostaria que dois homossexuais fizessem o mesmo, e talvez eu tivesse a mesma atitude que teria o Padre Alfredo, muitos anos atrás, com ambos os tipos de casais.

Eu adoraria ver na cadeia alguém, cuja homofobia fosse tão radical, que agredisse alguém por ser homossexual, mas também adoraria ver o mesmo tipo atrás das grades por agredir quem quer que seja. Ou seja, devemos viver numa sociedade que coíba a violência contra homos e héteros. Contra negros e brancos. Contra mulheres e homens. Contra religiosos e ateus, que não fossem eticamente capazes de convivência harmoniosa.

Eu sei que nossos amigos do movimento gay, que defendem a criminalização da homofobia já me criticaram, por ser contra a fazer uma lei específica para tal coisa. Há o malfadado PL 122, que é uma tentativa no sentido desta criminalização. Até hoje se debatem no congresso, em marchas e contra-marchas, para aprová-lo ou reprová-lo. Meu pensamento é que não há forma de colocar numa legislação única, e nem mesmo sei se é necessário uma, todos os casos, sem ferir determinados direitos fundamentais. E vou além, determinadas formas legais, ao invés de trazer benefícios aos pretensos beneficiários, trarão é prejuízos e mais discriminação. (Um caso evidente que um dia abordarei é o sistema de cotas para negros. Para mim só prejudica os negros).

O que temos de fazer é, através de nossa força, principalmente os simpatizantes como eu, a tentativa de mudar os costumes em relação aos homossexuais denunciando os abusos e bradando que todos somos iguais não só perante a lei, mas perante Deus, em nossa substância essencial que é a humanidade. A igualdade absoluta entre os homens é uma quimera socialista ou até anarquista da vida em sociedade. Quando nascemos já somos diferentes de todos, mas temos o direito, igual a todos, de sermos felizes. O que vem a ser isto, depende da cultura e história de cada povo, e a dificuldade em atingir esta felicidade não se resolve só com leis.

Um belo início é a realização de paradas que reúnem pessoas de todas os tipos a uma minoria, como que dizendo, olha aí cambada, o mundo pode ser assim. Harmônico, sem violência, sem discriminação, sem preconceito de forma alguma. O Martin Luther King tinha um sonho grande e o viu realizado na América, o meu sonho é bem pequeninho mas luto para ainda vê-lo realizado. A realização da parada gay em Bom Conselho, a PAPACAGAY.

Como uma coisa sempre puxa a outra, gostaria que na parada estivesse o Sr. Ccsta, que eu chamo de “Bolsonaro do Agreste”, carregando um dos estandartes do movimento. O Fã Club de La Luna engrossando nossos cordões. Eu, de braços dados com Marcix, formando a ala das “fortinhas”, sem medo de ser feliz, e o MSC trazendo o Ronaldo Dias à frente, com um erro de concordância no título. E eu, diante de tanta alegria e harmonia não teria a audácia de criticar, e até cantarolaria com o UvaPassa: “Curtindo a menopausa”.

Lucinha Peixoto

segunda-feira, 27 de junho de 2011

No forró e na política



O Blog do Augusto Nunes na Folha, neste dia 21 último, trouxe um texto chamado: “Herança maldita é a institucionalização da impunidade dos bandidos de estimação”, que eu não tenho condições agora e nem deveria comentar, pois, pela sua exatidão e verdades, não merece nenhum comentário de um ser, como eu, cheirando ainda a fumaça de fogueira junina, leiam enquanto comem uma espiga de milho assada ou sorvem um quentão, esperando São Pedro. Eu já vou fazer isto, se aguentar:

“Se conseguisse envergonhar-se com alguma coisa, o ex-presidente Lula estaria pedindo perdão aos brasileiros em geral, por ter imposto a Dilma Rousseff a nomeação de Antonio Palocci, e aos paulistas em particular, por ter imposto ao PT a candidatura de Aloízio Mercadante ao governo estadual. Se não achasse que ética é coisa de otário, trataria de concentrar-se nas palestras encomendadas por empreiteiros amigos para livrar-se de explicar o inexplicável, como o milagre da multiplicação do patrimônio de Palocci e a comprovação do envolvimento de Mercadante nas bandalheiras dos aloprados. Se não fosse portador da síndrome de Deus, saberia que ninguém tem poderes para revogar os fatos e decretar a inexistência do escândalo do mensalão.

Como Lula é o que é, aproveitou a reunião do PT paulista, neste 17 de junho, para tratar de todos esses temas no mesmo palavrório. Com o desembaraço dos condenados à impunidade perpétua e o cinismo de quem não tem compromisso com a verdade, o sumo-sacerdote da seita serviu a salada mista no Sermão aos Companheiros Pecadores, clímax da missa negra em Sumaré. Sem união, ensinou o mestre a seus discípulos, nenhum bando sobrevive sem perdas. Palocci, nessa linha de raciocínio, perdeu o empregão na Casa Civil não pelo que fez, mas pelo que o rebanho governista deixou de fazer. Foi despejado não por excesso de culpa, mas por falta de braços solidários.

Para demonstrar a tese, evocou o escândalo do mensalão, sem mencionar a expressão proibida. “Eu sei, o Zé Dirceu sabe, o João Paulo sabe, o Ricardo Berzoini sabe, que um dos nossos problemas em 2005 era a desconfiança entre nós, dentro da nossa bancada”, disse o mestre a seus discípulos. “A crise de 2005 começou com uma acusação no Correio, de R$ 3 mil, o cara envolvido era do PTB, quem presidia o Correio era o PMDB e eles transformaram a CPI dos Correios, para apurar isso, numa CPI contra o PT, contra o Zé Dirceu e contra outros companheiros. Por quê? Porque a gente tava desunido”.

A sinopse esperta exige o preenchimento dos muitos buracos com informações essenciais. Foi Lula quem entregou o controle dos Correios ao condomínio formado pelo PMDB e pelo PTB. O funcionário filmado embolsando propinas era apadrinhado pelo deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB, que merecera do amigo Lula “um cheque em branco”. O desconfiado da história foi Jefferson, que resolveu afundar atirando ao descobrir que o Planalto não o livraria do naufrágio. Ao contar o que sabia, desmatou a trilha que levaria ao pântano do mensalão. Ali chapinhava José Dirceu, chefe do que o procurador-geral da República qualificou de “organização criminosa sofisticada” formada por dezenas de meliantes.

Tais erros não podem repetir-se, advertiu o pregador. É preciso preservar a coesão do PT e da base alugada, contemplando com cuidados especiais os parceiros do PMDB. Para abafar focos de descontentamento, a receita é singela: “A gente se reúne, tranca a porta e se atraca lá dentro”, prescreveu. Encerrada a briga de foice, unifica-se o discurso em favor dos delinquentes em perigo.

“Eu tô de saco cheio de ver companheiro acusado, humilhado, e depois não se provar nada”, caprichou na indignação de araque o padroeiro dos gatunos federais. Aos olhos dos brasileiros honestos, figuras como o mensaleiro José Dirceu, a quadrilheira Erenice Guerra ou o estuprador de sigilo bancário Antonio Palocci têm de prestar contas à Justiça. Para Lula, todos só prestaram relevantes serviços à pátria. A lealdade ao chefe purifica.

“Os adversários não brincam em serviço”, fantasiou. “Toda vez que o PT se fortalece, eles saem achincalhando o partido”. É por isso que Mercadante está na berlinda: segundo Lula, os inimigos miram não no comandante de milícias alopradas, mas no futuro prefeito da capital. “Nunca antes na história deste país tivemos condições tão favoráveis para ganhar as eleições no Estado”, festejou no fim do sermão.

Se há pouco mais de seis meses o PT foi novamente surrado nas urnas paulistas, o que ampara o otimismo do palanque ambulante? Nada. É só mais um blefe. O PSDB costuma embarcar em todos. Não conseguiu sequer deixar claro que o Brasil Maravilha esculpido em milhares de falatórios só existe na imaginação dos arquitetos malandros e na papelada registrada em cartório.

Cumpre à oposição mostrar que o homem que brinca de xerife é o vilão do faroeste de quinta categoria. Os brasileiros precisam aprender que o câncer que corrói o organismo político nacional não é a corrupção simplesmente ─ essa existe em qualquer paragem. É a certeza de que não haverá sanções legais. Ao longo de oito anos, enquanto cuidava de promover a ignorância à categoria das virtudes, Lula institucionalizou a impunidade dos corruptos e acelerou a decomposição moral do país.

O Brasil deste começo de século lembra um grande clube dos cafajestes sustentado por milhões de eleitores para os quais a vida consiste em não morrer de fome. Essa sim é a herança maldita.”

Zezinho de Caetés

domingo, 26 de junho de 2011

Paulo Renato e a Educação no Brasil



Já estou cansado dos festejos juninos. Eu não sei como é que em Caruaru se aguenta tantos dias como os olhos lacrimejando e os ouvidos zunindo pelo estampido das bombas. Foi bom e alegre e me diverti muito. Mas, hoje fiquei triste quando soube da morte de um grande brasileiro.

Não, ele não era do nordeste e nem mesmo era meu conterrâneo. Era o Paulo Renato de Souza, ministro da educação no governo FHC, a quem o Brasil deve o que foi feito pela educação no Brasil, nos últimos 50 anos, incluindo o do Lula e, principalmente, os seis meses da Dilma, que neste tempo conseguiu produzir mais fatos negativos para a educação brasileira do que quase todos os outros juntos. O primeiro fato foi deixar o Fernando Haddad como ministro da educação, da cota do Lula. Eu digo até que melhor seria se a Dilma o tivesse tirado ao invés do Palocci, pois este já sabíamos corrupto desde o primeiro mandato petista.

E com os olhos lacrimejando, não pelo Paulo Renato, somente, mas pela fumaça da fogueira junina, eu reproduzo um texto do Reinaldo Azevedo em seu blog na Veja.com (26.06.2011), que é um primor, para mostrar o que foi, o que é e o que será o setor da educação neste país. Leiam e eu vou curar minha ressaca de milho. Amanhã eu volto.

“Falei com Paulo Renato a última, e pela última, vez na festa de aniversário de Fernando Henrique Cardoso, no dia 10, na Sala São Paulo. Era um homem inteligente, um formulador de políticas públicas e um operador competente. Eu o provoquei: “Ministro, o senhor também acha que ler um livro antes de matar pessoas é moralmente superior a matá-las sem ler?” Eu fazia uma alusão, obviamente, ao atual ocupante do Ministério da Educação, Fernando Haddad, que havia se saído com essa pérola em depoimento numa comissão do Senado. Elegante, discreto, Paulo Renato sorriu: “Ô, Reinaldo, eu acho que ele se atrapalhou; certamente não quis dizer aquilo…” Provoquei mais um pouco: “Tucanos sempre tentando fazer um petista parecer melhor do que é; já os petistas, com vocês, fazem o contrário…” Ele assentiu, mas só um pouquinho: “É, talvez você tenha razão…” E falamos por algum tempo sobre outros assuntos, especialmente sobre o homenageado da noite.

É isto: morre Paulo Renato Souza, um homem púbico notável, cuja obra foi incansavelmente vilipendiada pelos petistas, e as notas de condolências da presidente Dilma Rousseff e de Haddad podem fazer justiça tardia a seu trabalho, mas não têm força para apagar da história a tentativa de desconstruir o trabalho que ele comandou ao longo de oito anos no MEC e, mais recentemente, como titular da secretaria de Educação do governo de São Paulo, na gestão José Serra.

Como ministro de FHC, Paulo Renato comandou a universalização do ensino básico, criou o Enem, o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e o Exame Nacional de Cursos, apelidado de “provão” — depois chamado de Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes). O “provão” teve, nos primeiros anos de aplicação, papel fundamental na qualificação das universidades públicas e privadas. O exame foi bastante descaracterizado pela gestão petista.

Paulo Renato também foi decisivo para a criação do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério), em 1996. Para não variar, os petistas combateram bravamente o fundo e, atenção!, votaram contra a sua criação, o que é um escândalo, uma das muitas indignidades do partido. No poder, o que fizeram os petistas? Rebatizaram o Fundef, passando a chamá-lo “Fundeb” (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), sob o pretexto de que passaria a atender também ao ensino médio.

Na campanha eleitoral do ano passado, esta mesma Dilma que reconhece agora o trabalho de Paulo Renato — num tributo que o vício presta à virtude como expressão clara da hipocrisia — afirmava que o fundo era obra do… PT!!! Coube também a Paulo Renato transformar o Bolsa Escola, experiência iniciada em Campinas pelo prefeito tucano José Roberto Magalhães Teixeira, num programa de alcance nacional. Ele foi incorporado depois pelo Bolsa Família. Vale dizer: o governo Lula inventou o Fundeb, que já existia; inventou o Bolsa Família, que já existia; inventou o Enade, que já existia; inventou o Luz Para Todos, que já existia; inventou até a política econômica, que também já existia!!!

O PT é, em suma, o maior inventor de obras alheias da história!

Secretário de Educação

Na Secretaria de Educação de São Paulo, na gestão Serra, coube a Paulo Renato aprofundar o sistema de promoção do professorado por mérito, estabelecer um currículo mínimo e criar a Escola do Professor, para a qualificação da mão-de-obra. Mais uma vez, o PT, por meio de seu braço sindical, a Apeoesp, tentou sabotar a qualidade, mas o programa se consolidou, e São Paulo viu melhorar seu desempenho nos exames nacionais. Paulo Renato, reitero, não era apenas um bom formulador de políticas públicas: também era um executivo competente, qualidades que já tinha evidenciado como reitor da Unicamp.

Como homenagem à verdade e, no caso, a seu trabalho, cumpre lembrar alguns números, publicados aqui em dois posts em agosto do ano passado:

1 - Lula afirma por aí ter criado 13 universidades federais. É mentira! Com boa vontade, pode-se afirmar que criou apenas seis; com rigor, quatro. Por quê? A maioria das instituições que ele chama “novas universidades” nasceu de meros rearranjos de instituições, marcados por desmembramentos e fusões. Algumas universidades “criadas” ainda estão no papel. E isso, que é um fato, está espelhado nos números, que são do Ministério da Educação;

2 - Poucos sabem, certa imprensa não diz, mas o fato é que a taxa média de crescimento de matrículas nas universidades federais entre 1995 e 2002 (governo FHC) foi de 6% ao ano, contra 3,2% entre 2003 e 2008 - seis anos de mandato de Lula;

3 - Só no segundo mandato de FHC, entre 1998 e 2003, houve 158.461 novas matrículas nas universidades federais, contra 76.000 em seis anos de governo Lula (2003 a 2008);

4 - Nos oito anos de governo FHC, as vagas em cursos noturnos, nas federais, cresceram 100%; entre 2003 e 2008, 15%;

5 - Sabem o que cresceu para valer no governo Lula? As vagas ociosas em razão de um planejamento porco. Eu provo: em 2003, as federais tiveram 84.341 formandos; em 2008, 84.036;

6 - O que aumentou brutalmente no governo Lula foi a evasão: as vagas ociosas passaram de 0,73% em 2003 para 4,35% em 2008. As matrículas trancadas, desligamentos e afastamentos saltaram de 44.023 em 2003 para 57.802 em 2008;

7 - Sim, há mesmo a preocupação de exibir números gordos. Isso faz com que a expansão das federais, dada como se vê acima, se faça à matroca. Erguem-se escolas sem preocupação com a qualidade e as condições de funcionamento, o que leva os estudantes a desistir do curso. A Universidade Federal do ABC perdeu 42% dos alunos entre 2006 e 2009.

8 - Também cresceu espetacularmente no governo Lula a máquina “companheira”. Eram 62 mil os professores das federais em 2008 - 35% a mais do que em 2002. O número de alunos cresceu apenas 21% no período;

9 - No governo FHC, a relação aluno por docente passou de 8,2 para 11,9 em 2003. No governo Lula, caiu para 10,4 (2008). É uma relação escandalosa! Nas melhores universidades americanas, a relação é de, no mínimo, 16 alunos por professor. Lula transformou as universidades federais numa máquina de empreguismo.

10 - Cresceu o número de analfabetos no país sob o governo Lula - e eu não estou fazendo graça ou uma variante do trocadilho. Os números estão estampados no PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios), do IBGE. No governo FHC, a redução do número de analfabetos avançou num ritmo de 0,5% ao ano; na primeira metade do governo Lula, já caiu a 0,35% - E FOI DE APENAS 0,1% ENTRE 2007 E 2008. Sabem o que isso significa? Crescimento do número absoluto de analfabetos no país. Fernando Haddad sabe que isso é verdade, não sabe? O combate ao analfabetismo é uma responsabilidade federal. Em 2003, o próprio governo lançou o programa “Brasil Alfabetizado” como estandarte de sua política educacional. Uma dinheirama foi transferida para as ONGs sem resultado - isso a imprensa noticiou. O MEC foi deixando a coisa de lado e acabou passado a tarefa aos municípios, com os resultados pífios que se vêem.

Encerro

Muitos tucanos, por delicadeza, tornam os petistas melhores do que são. Não sou tucano. Pretendo tratá-los apenas com justiça. A justiça que sempre negaram a Paulo Renato Souza. Uma hora essa misticação acaba, e terá início o resgate também do trabalho dos vivos.”

Zezinho de Caetés

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Invadiram a presidência e rastrearam o IP da presidenta



Ontem falei sobre o que gosto mais. De futebol. Hoje fico com o que gosto um pouco menos, fora família é claro. É estes tais de computadores. Já trabalhei neles quando eles eram tão grandes que não precisava nem exercício para ficar em forma para a pelada de fim de semana. Eram do tamanho de salas grandes, e como trabalhavam mal, meu Deus. Querem mais uma prova de que tamanho não é documento, quando os comparamos com as máquinas minúsculas de hoje?!

Mas não é de máquinas que quero falar, em termos físicos pelo menos. Hoje temos a internet, que para os mais jovens até parece que sempre existiu. Quando queremos ir hoje para algum lugar, ao invés de perguntarmos, “lá tem luz?”, perguntamos: “lá tem internet?”. E os mais jovens já nascem “tecnologizados”.

Eu já discutia com um amigo que era ateu e adorava dizer que nós somos um conjunto de genes, e a estória da imortalidade da alma era apenas questão de definição, sobre o significado da Teoria da Evolução, e ele dizia:

- Jameson, brevemente vai nascer, através de uma mutação genética, alguma criança com 6 dedos em cada mão, como exigência biológica para clicar nos mouses, e nos computadores.

Eu não chegaria a tanto, mas diria que estamos quase beirando algo parecido. Hoje li nos jornais que “hackers” invadiram os computadores do governo federal, e divulgaram dados tidos como sigilosos até da presidenta. Eu ainda não sei se eles descobriram algo em relação ao meu Imposto de Renda, mas poderiam tê-lo feito. Será que divulgaram o IP da presidenta?

O pior de tudo isto é que não temos uma lei voltada para os crimes cibernéticos. Vejam senhores, que criminosos cibernéticos podem, no Brasil, vasculhar computadores, rastrear e divulgar informações da pessoas, como o IP por exemplo, e a única coisa que se pode fazer é usar a legislação do século passado (quando a internet era apenas uma coisa incipiente) , para punir os meliantes.

No nosso estado democrático de direito, o máximo que a polícia pode fazer, quando os meliantes invadem nossas mensagens, arquivos e computadores em geral, é usar o Artigo 265 do Código Penal que penaliza quem atentar contra a segurança ou o funcionamento de serviço de água, luz, força ou calor, ou qualquer outro de utilidade pública. E toda a investigação se passará em torno dos órgãos públicos.

Os especialistas nesta área do direito dizem que falta uma legislação específica em torno da invasão de sites. Outros crimes ainda se encontram previstos na legislação normal, mas, este não. Por exemplo, a procura por informações privadas na rede de computadores, normalmente é enquadrada no crime de invasão de privacidade, de acordo com a Lei 926/96 que indica como crime interceptar comunicações através de meios da informática, mas não consta especificamente este crime explicitamente no Direito brasileiro, sendo utilizados artigos da Constituição que falam da violação de correspondência, comunicações telegráficas de dados e telefone, salvo com autorização da Justiça. Mas, os crimes não param por aí e incluem sistematicamente: racismo; pornografia infantil; apologia ao crime; difamação; estelionato; pirataria; espionagem clandestina; crimes contra a economia popular; ameaça; violação de correspondência; furto; e, até mesmo prática de terrorismo.

Então vivemos, como se diz, num mato sem cachorros, e a mercê de qualquer um que queira, por qualquer motivo, violar nossas informações de caráter mais privados, ou pelo menos supomos assim, quando não entendemos bem como funciona a internet. E desde alguns anos se tenta votar uma lei para apertar o cerco aos crimes cibernéticos, mas até agora nada.

Quem sabe agora se todos souberem os dados pessoais da presidência não haja um esforço para que esta situação melhore, e possamos denunciar às autoridades quando alguém confessa que rastreou nosso IP, com o simples objetivo de denegrir nossa reputação ou nos fazer um mal maior?

Vale frisar ainda, e isto é relativo ao nosso amigo e bom companheiro o Diretor Presidente, adepto da prática do pseudônimo, que não há crime nenhum nisto. O crime existe quando o pseudônimo pratica ações maléficas tendo que responder por elas como qualquer outro. Isto não é um crime cibernético, pois este é fenômeno mais moderno do que o pseudônimo de D. Pedro I, que conspirava contra o governo português, que algum dia iria assumir, mas também, queria ver o Brasil independente. Agora, invadir computadores e rastrear IP, sem autorização judicial, podem até nem serem crimes tipificados legalmente, mas, que é no mínimo uma atitude imoral, isto é.

Jameson Pinheiro

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(*) A charge acima é do Diário de Pernambuco de hoje, com uma modificação feita pelo Jameson Pinheiro, que diz, que qualquer semelhança com os fatos reais, não são mera coincidência.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O Santos mais uma vez



Eu hoje me acordei tarde, igual a Lucinha que já li na AGD. Não pelo São João e nem por preocupação de que o Felipe Alapenha descubra meu IP. Foi pelo jogo Santos 2 x 1 Peñarol. E o vi em “full HD”, como se diz hoje. Eu não sei porque se vai mais a campo hoje, quando podemos sentir todas as emoções com as imagens televisivas. Foi uma beleza. Seguindo a escola do Zezinho de Caetés, que diz que só gasta seus dedos teclando quando não encontra o que ele queria dizer já pronto para citar, eu cito o Blog do Alon, onde me informo, quando estou entediado, sobre política e que hoje escreve sobre futebol com a postagem: “Obrigado, meu Santos”. Leiam e depois eu entro em campo:

“O primeiro jogo de futebol na minha memória é aquele Santos 4 x 2 Milan na final do Mundial Interclubes de 1963. Vi na TV preto e branco na minha casa da Rua Padre João Manoel, em São Paulo.

Foi um jogo para não esquecer. De virada. Pelé não jogou, substituído por Almir, o pernambuquinho. Com uma chuva daquelas no Maracanã.

Depois o Santos ganhou mais uma por 1 a 0 (tinha perdido o primeiro jogo, em Milão, também por 4 a 2, e naquele tempo o desempate era num novo jogo). E foi bicampeão.

Nossa família tinha vindo uns anos antes de Israel, para onde tinha ido quando saiu da Romênia depois da guerra. Para mim, o Santos foi a porta de entrada no Brasil. Aprendi tudo ao mesmo tempo: o português, o amor pelo Santos, o alfabeto, o amor pelo Brasil.

Também por isso minha paixão pelo Santos se confunde com o sentimento pelo Brasil, esta terra de imigrantes como eu. Uns mais remotos, outros nem tanto, mas todos imigrantes.

Depois de Pelé foram três décadas de travessia do deserto, com algumas pequenas alegrias aqui e ali. E quando tudo parecia caminhar para um fim triste vieram 2002, Diego, Robinho e o início da ressurreição.

Que se completou ontem. E vai ter um novo capítulo no Mundial Interclubes do fim do ano. Sei lá qual será o resultado no Japão. Nem vou pensar nisso. Prefiro continuar vivendo esse encontro com raízes tão profundas.”

O Santos também marcou minha vida de torcedor lá em Bom Conselho, onde aprendi a dar meus primeiros chutes ali pela ponta da rua da cadeia. Isto foi em 1958, com a conquista da nossa primeira Copa do Mundo. Foi naquela época que “Pelé, Didi, Vavá brilharam lá na Europa e a copa veio prá cá”, como dizia a musiquinha da época. Além deles havia o Garrincha. Este me fez ser torcedor do Botafogo, enquanto o Pelé me fez torcedor do Santos.

Naquela época não existia uma preferência nacional por um time. A pergunta era, “no estado tal torces por quem?” E eu dizia, em São Paulo, é o Santos, no Rio é o Botafogo, em Minas o Cruzeiro, na Paraíba o 13 de Campina Grande, e por aí vai. Lembro de ter ficado até tarde ouvindo no rádio jogos memoráveis do Santos. O gol mil do Pelé, os embates com o Vasco da Gama, quando o Vasco ainda era um time confiável. Pela qualidade dos outros jogadores que ele produziu e que serviram a seleção e a outros times, até quando começou a época da diáspora entre os nossos jogadores.

Em nosso tempo para vermos nossos melhores craques jogando, temos que ver jogos estrangeiros, principalmente italianos e ingleses. Só restou o Santos agora, revelando o Neymar, o Ganso, depois de revelar o Robinho e Diego. Parece até que Santos, a cidade é um fábrica de bons jogadores, e que nem precisam ter lá nascidos. O Pelé é mineiro. Hoje, sem dúvida é o único time que pode dar uma alegria nacional a quem gosta de futebol.

Eu deixei de propósito, para responder a pergunta acima de quem eu torço por estado, relativo a Pernambuco. Ou seja, quando me perguntam, em Pernambuco, por quem você torce, eu apenas respondo: Pelo Hexa Campeão! Viva o Santos!

Jameson Pinheiro

ZÉ PILINTRA



Duas personagens folclóricas faziam medo às crianças daquele tempo em Bom Conselho, o Papa Figo e o Zé Pilintra. Aterrorizava a meninada quando se falava nestas personagens, onde muitos corriam para dentro de casa a se esconder debaixo da mesa, da cama e por trás do sofá.

Criança nenhuma ousava desafiar os nossos pais quando falavam a cerca destas figuras folclóricas. No meu tempo, a mamãe Nedi era enfática quando pedíamos para brincar a noite na rua, no corre-corre pelas calçadas e no meio da rua de barro batido. Dizia, ela, não vão para o beco da casa de comadre Luisinha Correntão e nem no Beco do Mestre Amâncio e nem no Beco de Pedro Anselmo, pois é perigoso e escuro e se um deles aparecer levam vocês para bem distante e os comem como comemos galinha.

Era uma alerta.

Ninguém desobedecia. Todos ficavam atentos a recomendação, se algum tentava ir para os lugares proibidos era punido com três bolos de palmatória em cada mão.

Às oito horas da noite, no mais tardar, recebíamos o chamamento “para dentro de casa meninos, se não o Zé Pilintra passa e leva vocês”. Saiamos às carreiras e embocávamos para dentro do quarto quando no máximo ficávamos na sala de visitar ouvindo o pequeno radio branco em uma pequena mesa ouvindo a Hora do Brasil, sem nada entender. Muitas das vezes íamos se esconder atrás da poltrona ou embaixo da cama, ou mesmo se agarrar a saia da mamãe pedindo sua proteção e ela colocando a sua mão em nossa cabeça, dizendo para nos acalmar, “ninguém leva meus queridos, antes de passar por cima de mim”.

Ria com aconchego dos três rodeados e agarrados em sua saia.

Acendia o candeeiro e colocava em cima de um tamborete e íamos dormir vestindo um pijama de flanela com bolinhas azuis parecendo mais um palhaço. O urinol branquinho e bem limpo embaixo de cada cama para uma necessidade durante a noite. Advertia olhando para cada um, mijar na cama é pecado e o anjo da guarda não gosta de meninos que mijam na cama. Rezávamos a Ave Maria e o Padre Nosso, e o Santo Anjo do Senhor pedíamos a benção e com um “Deus o abençoe e faça feliz” deitávamos. A gente se enrolava com o cobertor cinza e com lista azul ou vermelha comprada no “quadro” na Loja de Tio Expedito Vieira Belo.

Há algum tempo, quando abri o blog AGD, tive um susto danado. Voltei ao tempo de criança, como um relâmpago. Lembrei-me dos conselhos de minha mãe Nedi, dos conselhos do meu pai Antonio Zuza e de suas preocupações do nosso bem estar. Imediatamente, fui acometido pela “Síndrome do Pânico” a meia noite quando resolvi olhar antes de dormir o AGD.

Fiquei ouvindo a fala dos meus pais no meu ouvido “cuidado, não ande pelos becos escuros, pois o Zé Pilintra está por ai e pode pegar vocês”, este eco ecoava nos meus ouvidos. Qualquer barulho na noite, na rua, as passadas apressadas, trazia-me esta recordação. Aos poucos fui me acalmando e nos meus sessenta e tantos anos de vida, não ia agora ficar apreensivo com estas assombrações que não passavam de uma crendice interiorana.

Pensei enquanto tomava o banho para dormir o “sono dos justos” este nosso Zé Pilintra, que se apresenta no AGD deve ser um bom moço, de boa índole, apenas quer se esconder sob este pseudônimo. Este Zé Pilintra do nosso AGD deve ter um pouco de tudo que se diz do “Zé Pilintra Valentão e Malandro” Veja o texto abaixo.

Zé Pilintra Valentão

“Qualquer um que se aventure a traçar a trajetória de um mito, certamente descobrirá que em torno dele existe um sem números de histórias, muitas delas inverossímeis, entretanto, impossíveis de refutação. O mito sempre se confunde com a realidade e, deste modo, ninguém pode contrariar a fé dos crentes, sob pena de alienar-se do mundo vibrante e mágico que envolve as crenças populares.

Sobre o Zé Pilintra, existem várias histórias contadas de boca em boca, tão cheias de ousadia e mistério quanto às de outros mitos nordestinos tais como o cangaceiro Lampião e sua parceira Maria Bonita; o bandido Cabeleira; o cangaceiro Corisco e tantos outros.

Todos que conhecem ou ouviram falar de Zé Pilintra concordam ao menos em um ponto: ele era um pernambucano “cabra-da-peste” que não levava desaforo pra casa, freqüentava os cabarés da cidade de Recife, defendia as prostitutas, gostava de música, fumava cigarros de boa qualidade e apreciava a bebida.

Contam que nasceu no povoado de Bodocó, sertão pernambucano próximo a cidadezinha que leva o nome de Exu, à qual segundo o próprio Zé Pilintra quando se manifestava numa mesa de catimbó, foi batizada com este nome em homenagem, já que sua família era daquela região antes mesmo de se tornar cidade.

Fugindo da terrível seca de meados do século passado, a família de José dos Santos rumou para a Capital Recife em busca de uma vida melhor, mas o destino lhe roubou a mãe, antes mesmo que o menino completasse três anos e, logo a seguir se pai morreu de tuberculose . José dos Anjos ficou órfão e teve que enfrentar o mundo juntamente com seus quatro irmãos menores. Cresceu no meio da malandragem, dormindo no cais do porto e sendo menino de recados de prostitutas. Sua estatura alta e forte granjeou-lhe respeito no meio da malandragem. Não apartava nunca de uma peixeira de seis polegadas de aço puro que ganhara de um marinheiro inglês com o qual fizera amizade.

Conta-se que, certa vez, Zezinho, como também era conhecido, teve que enfrentar cinco policiais numa briga no cabaré da Jovelina, no bairro de Casa Amarela.

Um dos soldados recebeu um corte de peixeira no rosto que decepou-lhe o nariz e parte da boca. Doze tiros foram disparados contra Zezinho, mas nenhum deles o atingiu. Diziam que ele tinha o corpo fechado.

Naquele mesmo evento, Zezinho conseguiu desvencilhar-se dos soldados, ferindo-os gravemente, um dos quais veio a falecer dias depois. Antes que chegassem reforços, Zezinho já tinha fugido ileso, indo se esconder na casa do coronel Laranjeira, um poderoso usineiro pernambucano, protetor do rapazote. Contava ele, naquela ocasião com 19 anos de idade e por este fato passou a se chamar Zé Pilintra Valentão. Este apelido foi dado pelos próprios soldados da polícia pernambucana. Pelintra significa pilantra, malandro, janota etc.

Tempos depois de sair do esconderijo, Zezinho agora apelidado de Zé Pelintra Valentão, passou a fazer fama na cidade de Recife. Embora fosse querido por todos que o conheciam, não perdia uma briga e sempre saía vitorioso.

Gigolô inveterado tinha mais de vinte amantes espalhadas pela cidade, das quais obtinha dinheiro para sua vida boêmia. Sempre vestido em impecáveis ternos de linho branco, camisas de cambraia adornadas por uma gravata de seda vermelha e um lenço branco na algibeira do paletó; na cabeça um chapéu panamá e os sapatos de duas cores compunham-lhe o tipo. Não raro poder-se-ia encontrá-lo sobraçando um violão pequenino, indo ou vindo das serestas, dos cabarés e botequins que freqüentava. Nunca lhe faltava dinheiro no bolso, nem amigos para mais um trago.

Aos domingos, todos podiam ver Zé Pelintra Valentão entrando na Igreja Nossa Senhora do Carmo, no centro de Recife, para fazer suas orações. Dizia-se também devoto de Santo Antônio, lá estava o Zé Pelintra Valentão, impecável com seu terno de casimira, pronto para a procissão pela Avenida Conde da Boa Vista.

A morte de Zé Pelintra Valentão ocorreu misteriosamente. Conta-se que aos 41 anos, ainda muito moço, Zé amanheceu morto, sem nenhum vestígio de ferimento externo. Soube-se, entretanto, que Zulmira, uma das suas amantes, tinha feito um “trabalho” para ele. Tinha um filho, que Zé Pelintra recusava registrar como dele. Zulmira tinha um ciúme doentio de Zé Pelintra, e por causa dela ele já estivera envolvido em muitas brigas e confusões. Ela queria Zé Pelintra só pra si. Assim, contam que lhe dera um prazo de sete semanas para que ele deixasse as outras amantes e fosse para a sua casa no bairro de Tamarineira. Zé Pelintra não foi e acabou sendo envenenado. Zulmira, depois da morte dele, sumiu de Recife e nunca mais se soube dela nem do filho”.

Outros Zé Pilintra se infiltram em nosso folclórico com várias denominações, como Zé Pilintra Valentão, Zé Pilintra da História, Zé Pilintra da Umbanda, Zé Pilintra dos Pontos, Zepelim, Zé Pilintra Demônio, Zé Pilintra da Oração, Zé Pilintra das Almas, Zé Pilintra Malandro, Zé Pilintra Exu cada um age á sua maneira.

FAMÍLIA PILINTRA

Além do Zé Pilintra, há espíritos mentores, como ele, também conhecidos como Antônio Pilintra, Maria Pilintra, João Pilintra, Joana Pilintra, Mané Pilintra e Rosa Pilintra. Mas ainda, há suas qualidades de Zé Pilintras viradas na esquerda, que ganham atributos específicos da vida do Seu Zé, como Seu Zé Malandrinho, Seu Malandro, Malandro das Almas, Zé da Brilhantina, Malandro da Madrugada, Zé Malandro, Zé Pretinho, Zé da Navalha, Zé do Morro, e por aí vai. Só vale ressaltar que os Malandros não são exus, embora venham na Linha de Esquerda. Ao contrário dos Exus que estão nas encruzilhadas, encontramos os malandros em bares, subidas de morros, festas e muito mais.

Aqui, gostaria de fazer uma especial contribuição sobre uma Guia, multo importante na minha vida mediúnica. A baiana que eu trabalho desde o meu primeiro dia de Filha de Santo, na Umbanda, Sra. JOANA PILINTRA! Trabalho com ela há 5 anos e desde então, aprendi muito com suas histórias. Em vida, foi mãe de 3 filhos. Trabalhou nas louvas de Milho enquanto o marido foi tentar a sorte no ciclo da borracha, nos seringais. Ela sempre se intitula devota de Nossa Senhora da Glória. Solitária mas muito bonachona, penso na Joana quando penso naquelas mulheres de avental, saia, blusa de campanha e lenço na cabeça. Mulher da Lida!! Mão calejada do trabalho da roça e de casa. Mas, à noite, depois do banho, era Senhora Vaidosa. Sempre em seus vestidos de tecidos muito simples, mas rendeiros, Joana só se dedicava, ora aos filhos, ora a comunidade. ‘Rezedeira’, como ela mesma diz, era daquelas que conhecia todo mundo, que era chamada pra ir na casa de todo mundo, mas particularmente na dela, ela não gostava de receber. Dona de uma generosidade sem fim, ao mesmo tempo em que ela pode ser carinhosa e cuidadosa, também já a vi dura e rígida. Como mãe que dá a palmatória certa nas horas que tem que dar. Sua fala é comprida… adora uma boa prosa. Mas quando dá pra falar curto e grosso… hummm. Segura! A língua fica maior do que a boca.

Acho que aprendi com ela e com a Família Pilintra esse lado, ri para resistir!!

Dançar, beber e brincar, sem abusar. Porque a vida não é feita só de excessos… é também senhora da moderação. Com eles, percebi quanto dessa luta e dessa gana sou capaz de reinventar, todos os dias, para eu mesma suportar as peripécias que esse mundo dá. E, ao mesmo tempo, fazer da aflição do outro, um motivo de se motivar e prosseguir, como quem trilha sua própria tristeza e avança. Porque vê no outro e projeta na caridade e generosidade alheia a mesma dedicação e o mesmo esforço que tanto precisa ter e desenvolver na vida para dignar a si mesma.

TIRA TEIMA:

PONTO DE SEU ZÉ PELINTRA:


Será que foi feitiço seu Zé? Pra eu ficar, do jeito que eu fiquei. (bis)
Sete dias andando, sete dias bebendo por aí, só pra ver passar aquela linda mulher. (bis) Olha ela aí seu Zé, olha ela aí, girando assim como dama gira na noite de cabaré!!!(bis)

Zé Pilintra, Zé Pilintra
Boêmio da madrugada
Vem na linha das Almas
e também na encruzilhada

O amigo Zé Pilintra
que nasceu lá no sertão
Enfrentou a Boêmia
Com seresta e violão

Hoje na lei de Umbanda
Acredito no Senhor
Pois sou seu filho de fé
Pois tem fama de doutor

Com magias e mirongas
Dando forças ao terreiro
Saravá seu Zé Pilintra
O amigo verdadeiro

Em qual este nosso Zé Pilintra bom-conselhense está classificado. No meu entender em dois:- Zé Pilintra Valentão e/ou Zé Pilintra Malandro É isto!

José Antonio Taveira Belo / Zetinho

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Seu Salviano e o Forróbom




Ana passado eu estive no Forróbom. Aguentei metade dos dias. Desta vez suportei dois dias e mesmo assim porque no primeiro, só passei pela frente, quando me dirigia ao bairro de São Rafael prá falar com meu amigo Seu Salviano. Ele anda um pouco adoentado e não sabe muito bem o que está se passando, a não ser pelas informações que lhe são repassadas pela sua filha Ritinha. Embora continue antenado na internet, e cada vez com mais prática.

Ultimamente, com estas notícias relativas a rastreamento de IP,s, ele como todo Bom Conselho conectado está com medo de tudo. Parece uma neurose coletiva e os boatos a respeito são muitos. O Felipe Alapenha, que eu vi saracoteando pela monumental estrutura do Forrobóm talvez ainda não saiba o mal que fez a Bom Conselho com esta história mal contada de que seria um contumaz rastreador de IP,s.

Principalmente, o Seu Salviano que tem sua filha professora do setor público. Encontrei com o Zé Pilintra. E não esperem que eu vá divulgar sua verdadeira identidade. Ao contrário, o aconselhei a preservá-la, pois sei que ele pode fazer mais o bem a Bom Conselho, do que certas pessoas que pensam, que divulgando seus nomes de batismo, o tornam, inteligentes, éticas e boas. Ledo engano, eu sempre gostei mais do Álvaro de Campos do que do Fernando Pessoa.

Este texto é apenas uma transcrição livre de nossa conversa, franca e amiga como sempre acontece.

- Como é, Seu Salviano, nós viemos aqui para tomar o gostoso café da Ritinha ou prá conversar?

- Meu caro DP, eu hoje preferia ficar só no café da Ritinha. Ando tão enjoado! Não sei se é “mal de velho”, que um dia lhe pegará, ou se é pelo rumo que as coisas estão tomando aqui em nossa terra. Eu nunca tinha visto nada igual. Aqui não se fala mais em saneamento básico, escolas, hospitais, enfim, obras de infraestrutura . Só se fala em sopão e forró. Este foi o pior legado do governo Lula ao nosso povo, e que foi tão bem entendido pelos nossos políticos ansiosos por votos.

- Como assim Seu Salviano?

- Vejam que desde o ano passado que o Açude da Nação estourou e nem isto fez a festa parar, só se fala em Forróbom. Isto só ocorria nas épocas da campanha política, eram os “showmícios”, que parece não existem mais. Agora é o ano todo, natal, carnaval, São João, 7 de setembro. Os showmícios são permanentes. Isto é que dá voto, e o povo gosta! Logo no dia seguinte, como Ritinha sempre fala vai reclamar que não há merenda na escola e que faltou professora, e seu filho não sabe o “a”. Vai ao hospital e espera durante 8 horas para saber que tem “espinhela caída” e não tem remédio em estoque. Isto quando o médico não o manda prá Garanhuns. Aqui na comunidade, com um pouco de exagero e jocosidade, (e a Lucinha como vai, ela é da pesada, quando ela vier aqui um dia traga ela prá me ver), eu diria que de dia falta água e de noite falta luz na casa que tem uma privada é milagre de Jesus. E assim vai, quando se verifica que há denúncias pelo rádio, junta-se a equipe da prefeitura para resolver o problema. Como? Abrindo um sopão ou fazendo novo show com esta bandas caça níqueis que estão por ai todo o tempo.

- Mas, Seu Salviano, o que eu soube é que o povo adora as festas, como o governo do povo não deveria satisfazê-lo?!

- Ora, caro jovem. O povo adorou condenar Jesus. Adorava ver as execuções na idade média, chegando ao absurdo, e tá aí a Ritinha que não me deixa mentir, de certos governantes enforcarem inocentes para dar diversão ao povo. Lembra dos gladiadores que eram alimentos de leões em Roma? Quem você pensa que urrava e aplaudia Hitler em seus discursos? Só para ficar nas chamadas ditaduras. E você acha que ao dá voto ao analfabeto nossa constituição cidadã formou cidadãos? Isto o Lula, que é um dos políticos mais inteligentes de nossa história descobriu quando era líder sindical, e depois criador do PT. Ele sabe que o povo de que fala a constituição é uma ficção boa para nos manter numa ditadura com aspecto de governo do povo, pelo povo e para o povo, igualzinho nas ditaduras do proletariado. Hoje o circo é mais importante do que o pão, para o nosso povo.

- Mudando um pouco de assunto, Seu Salviano, o que o senhor achou do Felipe Alapenha querer nos extinguir por decreto?

- Eu acompanhei o caso e fiquei com pena do Zé Carlos. O Zé Carlos talvez não se lembre mais de mim, mas eu me lembro dele. Quando eu frequentava a casa do Pai dele, há muito tempo, ele era um rapaz, parece que estudava em Recife, diziam que era muito estudioso. Depois o perdi de vista até que ele apareceu com este blog novo da Gazeta. Eu ainda penso que se ele quisesse escrever deveria ter começado pelo Blog da CIT, mas parece que vocês o engabelaram e ele quis criar algo novo. Vaidade? Não sei, mas, que ele ficou numa bananosa danada ele ficou. Se disser que ele é vocês, além de está mentindo, estará traindo os amigos. Se ficar calado, o povo vai terminar acreditando na mentira do Felipe. Se diz que não é ele quem escreve perde aquela sensação de vaidade que todos temos em nos julgarem que fazemos mais do que o que realmente fazemos. Se ele for inteligente como dizem eu seguiria a terceira opção, que é a verdadeira, embora ele vai perder pontos entre os que os admirava. Eu estou dizendo isto supondo que o Felipe esteja errado, pois estou falando com você, e pelo menos em relação a você eu sei que ele está. Se ele escreve pelos outros, o raciocínio é outro.

- Seu Salviano já há quase 3 anos que comando aquela corja lá da CIT, e sei que o Felipe é um mentiroso, ou talvez um ingênuo que pensa que para ser um bom político basta lançara uma mentira que dá certo. O que ele fez foi fazer com que nosso Blog seja mais um cobrador do governo de sua mãe, que um dia defendemos tanto. Mas, vamos ver em que vai dar.

- E vocês vão deixar o Zé Carlos tirar a foto que o Felipe exigiu? Seria uma solução.

- É, seria. Mas isto iria contra nossos direitos individuais em adotarmos pseudônimos. O que a nossa Constituição prega sobre anonimato é algo tão atrasado que nenhuma democracia moderna adota. Foi um ranço de autoritarismo do passado deixado nela, e que estamos lutando para derrubar, principalmente, numa época como a de hoje onde esta grande rede nos faz todos anônimos, basta querermos. Por exemplo, o senhor hoje poderia criar o Blog do Salviano, colocar sua foto verdadeira, seus dados verdadeiros e pedir para a Ritinha escrever nele pelo senhor. Então todo mundo acreditaria que seria o senhor que escreve, e enquanto o senhor não disser nada, os escritos da Ritinha serão os seus escritos para a opinião pública. O que seria isto? Anonimato? Pseudonímia? Charlatanismo? Enganação? Pois, como o senhor sabe muito bem, que pelos boatos não tão escondidos assim, todos diziam aqui em Bom Conselho que quem escrevia o Blog da Prefeita era seu filho. Se era ou não eu não sei, e não posso dizer que é errado pois, a prefeita nunca reclamou, nem veio a público dizer se isto era verdade ou não. Por falar nisso, o senhor não quer que criemos um Blog para o senhor? O Jameson me disse que leva apenas 3 minutos para fazer um e que fica muito mais bonito do que o Blog da CIT que ainda não se modernizou.

- Eu não tenho mais saúde para isto. Mas seria uma boa ideia. Ritinha, vem ouvir isto....

Aí acabou um pouco a importância da nossa conversa, pelo menos que interesse ser publicada, pois o bom mesmo, foi a conversa particular, sobre a surra que deram no vereador, mas aí eu já estava com o gravador desligado, e se um dia escrever sobre isto, esqueçam que eu estive com o Seu Salviano, mesmo porque soube a respeito em muitos outros pontos da cidade.

Diretor Presidente

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(*) Foto retirada da AGD.