sábado, 4 de junho de 2011

Acompanhado pelo Merval, agora imortal!



Na última vez que cometi um texto em cima das costas do Merval Pereira foi esta semana que passou (ver aqui). Naquela ocasião não sabia que estava transcrevendo um texto de um imortal. Soube um pouco depois que ele é o mais novo membro de nossa Academia Brasileira de Letras.

Vejam então o meu orgulho em ter feito a citação que passou do aspecto puramente político para o aspecto literário. Ao mesmo tempo me deu uma angústia danada, quando pensei no nosso esforço, meu e do Zetinho, para fundar as Academias de Letras em nossas cidades. Hoje já sei que vai ser difícil contar com o meu conterrâneo Lula, pois com a queda do Terceiro Reich, digo, reinado, digo mandato, ele vai perder o prestígio e vai ser difícil convencer o Rafael Brasil, que tem a cadeira de número 25 já assegurada de dar ao Lula a cadeira de número 13, que eu prometi.

Mesmo com estes “poréns” e “todavias”, é um prazer imenso citar outra vez o que Merval Pereira publicou neste sábado sob o título :“Sem Convencer”, no qual se refere mais uma vez ao caso mais cruel, políticamente, ocorrido sob as luzes do poste. Eu volto lá no final para desejar um bom fim de semana a todos.

“A entrevista do (ainda) ministro Antônio Palocci ao Jornal Nacional ontem não melhorou sua situação, e esgotou sua capacidade de dar explicações à opinião pública, coisa que, aliás, ele acha que não precisa fazer.

Ele se declarou mais preocupado com as eventuais consequências para as empresas a que prestou “consultoria”, do que com os prejuízos para o governo brasileiro que sua atividade dupla como político e “consultor” poderia ter causado.

A insistência em não apresentar as empresas atendidas por sua empresa mostra que ele se considera dispensado de revelar ao público a que serve como membro do governo os detalhes de sua atividade.

Alegou Palocci que todas as informações detalhadas foram encaminhadas aos órgãos públicos controladores, como a Procuradoria-Geral da República, ou o Conselho de Ética do Governo.

E a decisão que eles tomarem deve ser acatada pela opinião pública, sem mais discussões.

Não passa pela cabeça do (ainda) ministro que, sem que seja revelado exatamente para que tipo de empresas ele trabalhou, e que “consultas” deu, não se pode ter certeza de que não houve tráfico de influência.

Quando diz que é preciso ter boa-fé na discussão política, Palocci pede que o cidadão comum se convença de que não existe tráfico de influência no governo, em qualquer governo, e que servidores públicos de posse de informações privilegiadas não têm que ser vigiados pela opinião pública por que, em princípio, todos são sérios e honestos.

Infelizmente, a nossa história recente registra inúmeros exemplos de uso de informações privilegiadas que não justificam uma atitude de boa-fé cega.

Ainda mais com tantos milhões envolvidos em tão poucos anos.

Não é razoável que o (ainda) ministro Palocci peça à opinião pública que confie em suas palavras e não se impressione com o formidável faturamento de sua empresa de “consultoria”, que supera o de outras empresas muito mais tradicionais no ramo.

A insistência de Palocci quanto a legalidade das atuações de sua empresa de “consultoria” parece uma tentativa de desviar a atenção das acusações mais graves, pois em nenhum momento discutiu-se alguma ilegalidade fiscal, e nem mesmo ilegalidade formal de sua atividade dupla de “consultor” e deputado, permitida por uma legislação que só não é revogada por que é dos interesses dos parlamentares que fique como está.

O que se discute na atividade de Palocci que ele precisas provar que não usou as informações internas que tinha, sobretudo quando já era coordenador da campanha da candidata oficial Dilma Rousseff, para orientar seus clientes.

Por mais que tenha se destacado como ministro da Fazenda, o médico Antonio Palocci não tem conhecimento técnico suficiente para dar conselhos sobre investimentos ou fusões e aquisições.

Ou pelo menos teria competidores mais bem aparelhados tecnicamente para essa tarefa.

Sua farta remuneração, incluída aí uma “taxa de sucesso” que parece altamente discutível, parece muito mais consequência das suas relações dentro do governo, mesmo depois de ter saído do ministério da Fazenda, do que de seus conhecimentos econômicos.

Palocci alegar que quando estava na campanha de Dilma Rousseff exercia um papel político, e não na área econômica, é puro diversionismo.

Também na campanha de Lula em 2002 sua função nada tinha a ver com a economia até ser indicado como ministro da Fazenda.

Ele era o que sempre foi, um articulador político altamente competente e eficiente por seu relacionamento pessoal com Lula e sua história dentro do PT.

Sua indicação para a área econômica, portanto, foi uma decisão política de Lula para indicar que um homem de sua confiança estaria à frente da economia, garantindo a continuidade da política de controle da inflação e equilíbrio fiscal.

Foi na prática que ele foi aprendendo os segredos do ofício, e teve a sensatez de ouvir pessoas adequadas, como o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga e o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, e convocar para sua equipe técnicos competentes, mesmo que ligados historicamente a governos tucanos.

No governo Dilma, o fato de ele estar no comando da chefia do Gabinete Civil nunca o impediu de dar sugestões na área econômica, e seria risível afirmar que o governo abriria mão de sua “consultoria” na área econômica, tão valorizada pelo setor privado.

O (ainda) ministro Palocci revelou, desta vez à Folha de S. Paulo, que não entrou em detalhes com a presidente Dilma sobre sua empresa de “consultoria”, e portanto não revelou a ela quais seus clientes e que tipo de “consultas” produziram tanto dinheiro.

Fica a sensação de que ele não teve a exata noção do risco político que sua atividade privada poderia produzir, ou não quis entrar em detalhes justamente por que sabia o grau de periculosidade política.

Dizer, como cansou de repetir, que a ética é regulada por decisões burocráticas que ele seguiu à risca chega a parecer um deboche.

Não há alguém que pense que um político experiente como Antonio Palocci atuasse no ramo de “consultoria” à margem da lei explicitamente.

O que está em discussão é obrigação de um político, especialmente poderoso como Palocci, de exibir comportamento idôneo e evitar conflitos de interesse mesmo que eles não sejam previstos pela legislação.

É o caso, por exemplo, do período em que ficou trabalhando como “consultor” e ao mesmo tempo coordenador da campanha da candidata oficial.

De quantas reuniões de trabalho Palocci não terá participado onde se discutiram medidas econômicas futuras que poderiam ter impacto nas empresas que o contrataram?”

O mais que se nota no texto do Merval é a palavra “ainda” quando se refere à condição de ministro do Antonio Palocci. São sutilezas dos imortais. Ele, e todos que foram entrevistados pelo IBGE, constando oficialmente da população brasileira, sabem que se (ainda) ministro continuar ministro, era uma vez o governo da Dilma. O Lula disse que isto aconteceria se o Palocci não fosse defendido e tentou defendê-lo. O tiro saiu pela culatra. Agora ele já defende sua saída.

E é sempre dessa forma com o meu conterrâneo. Se o tiro sai pela culatra, quando pensamos que ele se feriu, ele já está com a culatra voltada para o outro lado. O ferido mesmo vai ser o poste, pois nem conseguiu outra pessoa para carregá-lo e já leva chumbo de todos os lados. Deus me livre e guarde que ela, ao se debater diante de tanto fogo amigo, termine chamando o Zé Dirceu. Aí vai começar tudo de novo. Com diz a Lucinha: “ninguém merece!

Ia esquecendo. Um bom final de semana para todos. E não deixem de ver o fim de semana que o Zé Carlos publicou na AGD. Hoje como estou de plantão aqui no Blog, talvez não resista a tentação de publicar o vídeo aqui. Talvez, amanhã.

Zezinho de Caetés

Um comentário:

Altamir Pinheiro disse...

EIS UM EXEMPLO DE UM GOVERNO INEFICIENTE. VIVEMOS UMA COMPLETA FALTA DE COMPETÊNCIA PARA GESTÃO DA COISA PÚBLICA DISFARÇADA DE “UMA ADMINISTRAÇÃO VOLTADA PARA OS POBRES”. MAIS UM LEGADO DO SEBOSO DE 9 DEDOS QUE DEIXOU O PODER NO COMEÇO DO ANO. AOS POUCOS A VERDADEIRA HISTÓRIA DESSES ÚLTIMOS 8 ANOS DE DESGOVERNO VAI SE DESENHANDO!!! A PRESIDENTA 05 MESES ATÉ AGORA NÃO FEZ NADA, O COCOZÃO DO PALOCCI QUE O LULA DEIXOU PARA ELA, NÃO É PARA QUALQUER PRIVADA, NÃO EXISTE DESCARGA QUE NÃO SE QUEBRE E CANO QUE NÃO SE ENTUPA OU ENTALE-SE. EU ACHO QUE COM ESSE JEITÃO MEIO CLANDESTINO DE GOVERNAR A DILMA VAI TER QUE ENGOLIR POR INTEIRO ESSE PORQUINHO CEVADO DE 20 MILHÕES DE REAIS COM RABO, CASCOS E FUÇA!!!