domingo, 5 de junho de 2011

AMIGOS, AMIGOS...




O meu querido pai Antonio Zuza, de saudosa memória, sempre dizia em suas conversas em família, que “amigo é somente pai e mãe, o resto é conversa”.

Muitas das vezes discordei dele este seu pensamento e mostrava que existia neste mundo de meu Deus, que alguém era amigo de verdade, para qualquer hora do dia ou da noite. Este não media distancia para servir. E, eu dizia “é nesta hora que se conhece o amigo” nestas horas incertas.

Ele replicava; é claro que pode existir mais é muito difícil você encontrar e confiar.

Ria e começava a ler o seu jornal, sentado no sofá de três lugares.

Eu puxava a conversa, “Ó pai, como é que pai mata filho e filho mata pai? E filho que agredi a mãe, o irmão ou outro qualquer parente”, como fica?

Na sua sabedoria interiorana, respondia é verdade meu filho, mais isto são aberrações que acontecem na vida.

Mas são raro estes casos. Não é verdade?

Eu tinha que assentir com este pensamento.

O meu pai tinha a sabedoria de matuto, não sabia ler, como ele dizia, mas lia e aprendeu no tempo de folga, soletrando e juntando as letras e assim aprendeu e quando se tornou mais velho já lia tudo. Tinha uma excepcional memória. Lembrava-se de datas históricas, nomes dos governadores dos Estados e muitas das vezes se aventuravam em falar sobre o destino das grandes nações, como ele próprio falava. Tinha a sabedoria da vida, pois aprendera no trabalho do dia-a-dia, desvendando cidades, povoados, fazendas e sítios enfim em contato com as mais variadas pessoas. A sua Universidade foi à vida. E, como aprendeu nela.

Era fã de Getulio Vargas. Tinha o seu retrato pregado na parede na sala de visita em Bom Conselho. Este é o homem que libertou os trabalhadores brasileiros e trouxe grandes benefícios que favorecem há todos nos dias hoje. Dizia muitas das vezes embevecido no sofá da casa. Gostava do Juscelino, outro grande presidente, para ele. Homens de bem que defendia a nação a qualquer custo. Na morte de cada um deles, um por pressão da sociedade, se suicida, outro em acidente sem explicação, dizia ele na mesa de refeição, muitas das vezes no café.

Mas, este é um preâmbulo. E para começar mais uma estória do que aconteceu com duas famílias, relatou,

“Josué conheceu uma família e logo fez amizade principalmente, com o Zeca. Moravam na mesma rua, freqüentava os mesmos ambientes e desta forma a cada dia que se passava aumentava a amizade.

Certa vez, o Zeca ajudou Josué em uma divida contraída há tempo e que o credor tinha levada a raia da justiça e o magistrado deu a ele, o Josué, quarenta e oito horas para liquidar o débito contraído em mesa de jogo. O Zeca salvou de ele perder a casa que já estava sendo avaliada pela metade do preço emprestando o valor desta divida.

Os tempos se passaram. As visitas se consolidaram. E, assim a vida continuava. A cada dia as famílias se uniam. Mas certo tempo, o Zeca descobriu que aquela amizade não correspondia o que ele pensava, pois Josué era viciado em uma jogatina que acontecia na garagem do Seu Damião. Josué e a sua família começaram a evitar encontros, apenas alguns cumprimentos insossos. Zeca por sua vez ficou cabreiro com aquela atitude. Pensou logo, no empréstimo que tinha concedido e que ainda não tinha sido pago. Mas, isto não era motivo, pois nunca cobrara e nem tampouco mencionou alguma vez nos seus escassos encontros.

Certo dia tomava alguns aperitivos no clube da pequena cidade, quando aconteceu a primeira ruga. O Zeca foi ao encontro de Josué, saber o porquê de toda aquela aversão instantânea, pois nada tinha acontecido em relação a este esfriamento de laços de amizade. Nada tinha com a sua vida particular, se jogava ou não, isto era um problema seu e de sua família. O Josué respondeu rispidamente, “não dá mais para termos amizade, apenas eu não quero e pronto!” Zeca ficou atônito com aquela resposta. Saiu do lugar e comentou com a sua mulher o acontecido.

Passado alguns dias, Zeca encontrou o Josué na bodega do Seu Álvaro, que o evitou, mas Zeca o interrompeu e disse “já que você não quer mais conversa comigo, pague-me o que me deve, pois também estou começando a ficar farto desta situação”.

Josué, disse depois eu pago! “Deixe-me arranjar o dinheiro”

Não eu quero logo, e você tem uma semana para pagar, está avisado!”

E, assim os dois seguiram o seu caminho. Passado o tempo dado por Zeca, o encontro casualmente, terminou em tragédia. Na praça o Zeca perguntou: Como é vai me pagar o prazo se esgotou ontem!

Josué respondeu “não tem mais prazo!

Puxando uma combreia “dois tiro e uma carreira” puxou o gatilho matando-o ali mesmo. Foi preso e encaminhado para cadeia pública”

Veja meu filho no que deu esta amizade que parecia sólida, deu no que deu, entende?


José Antonio Taveira Belo / Zetinho

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