sexta-feira, 3 de junho de 2011

AS VIRTUDES CARDEAIS (ou A Volta ao Catecismo II)



Este é a nossa segunda aula de catecismo (a primeira você pode ver aqui ), versando sobre a virtude da Justiça. Existe uma virtude anexa da Justiça que é a religião de que trataremos, na aula referente as Virtudes Anexas. A partir de agora começaremos nosso vermelho e preto, lembrando que, o que é preto vem do catecismo e o que é vermelho vem de minha cabeça.

A Virtude da Justiça

Deus entregou a terra a Adão para que ele e seus filhos a plantassem e tirassem dela o seu sustento. O homem usou e usa as coisas da natureza para comer, para vestir, para fabricar objetos necessários à sua vida. Como filhos de Deus e tendo recebido a terra como herança, os homens podem possuir suas coisas, sua terra, sua casa, seus objetos, que lhe são necessários para viver e para alimentar sua família. É fácil compreender que nem sempre haverá um acordo entre os homens sobre a possessão desses bens materiais. Isto é fácil de comprovar, pois se assim não fosse, por que haveria necessidade do Bolsa Família, e consequentemente a eleição e re-eleição do pessoal do PT? Tem gente que concorda com a esmola governamental e outros, como eu discordam, pelo menos da forma como ela é usada, manipulando corações e mentes do povo pobre e sofrido deste país, matando-lhes de vergonha por se sentirem tão viciados em governo.

Para ajudá-los a viver em paz e a possuir com boa medida o que lhes é necessário, Deus nos deu a virtude de justiça, pela qual nós queremos, com nossa boa vontade, dar aos outros o que lhes é devido, protegendo também o que nos pertence e, sobretudo, dar a Deus o que Ele nos pede, no seu amor por nós: amor, dedicação, louvor, etc. Este é a justiça do mateus primeiro os teus. Eu protejo o que é meu, o que sobra então não farei questão de dar a Deus e aos mais necessitados. Quanto menos Deus pedir, melhor, pois sobrará para os pobres. Eu achei tão estranho esta parte do catecismo! Talvez sejam leituras posteriores do Evangelho que me fizeram dar aos outros mais do que lhe é devido, porque temos mais do que nos é devido. São versões diferentes para a virtude. Mas vamos adiante.

Vamos ilustrar o que dissemos com alguns exemplos:

Quando tomamos emprestado um objeto, a virtude da justiça nos leva a querer devolvê-lo no tempo estipulado, pois sabemos que a pessoa que nos emprestou pode ficar prejudicada se não recebê-lo de volta. E com os juros se o objeto for dinheiro. Usura só era pecado na idade média. Um sistema capitalista, feliz ou infelizmente o único que temos hoje, não vive sem juros, e o pior, sem banqueiros.

Quando compramos um objeto, é justo que paguemos o seu valor. Mas, não se esqueçam de pechinchar e pesquisar na internet, se há mais barato do que no seu supermercado, principalmente se ele pertencer aos americanos.

Quando assinamos um contrato com alguém, devemos cumpri-lo (como o matrimônio é um contrato passado diante de Deus, a virtude da justiça nos impede de querer nos separar, pois no contrato do matrimônio aceitamos viver para sempre com a pessoa com quem casamos). São em coisas deste tipo que nossa igreja deve evoluir, e também seu catecismo. Já houve um tempo em que a Igreja Católica não suportava ouvir falar em separação, desquite ou divórcio. Mulher separada não entrava nem na Igreja. Esta era a lei e os profetas. Hoje somos orientados a manter a união matrimonial, mesmo que ela já seja um desunião matrimonial, dentro de uma hipocrisia tosca. Neste ponto eu comecei logo cedo a mudar o catecismo para meus filhos. O que faz o matrimônio sagrado não é a religião falando em nome de Deus, é o amor que deve existir na relação. Aqui eu pulo até de parágrafo.

Hoje já se diz que o casamento é uma brincadeira temporária. Para nós católicos não deveria ser, mas, infelizmente, para católicos ou não tem que ser. Isto não é só religião, é moral que nos conduz, além dela, a sobrevivermos como seres humanos felizes. Presenciei, talvez em minha própria casa desavenças enormes entre meu pais. Quando queriam se separar, e nunca foram as vias de fato, a religião segurava. Não posso julgar a felicidade de minha mãe. Eu julgo a minha e transmito isto aos meus filhos. Uma relação a dois só pode ser permanente, se for dentro de uma situação de respeito e sem preconceitos, quaisquer que sejam.

Alguns dias atrás, como sempre faço, fui ao Blog do Roberto Almeida e me deparei com uma postagem cujo título era: “Adeus Fidelidade” (veja aqui ), e que tinha uma foto bonita da Cléo Pires, onde o jornalista, depois de dizer que a atriz não era muito chegada à fidelidade perguntava, se aquilo não seria o fim dos tempos. Já havia lá um comentário do Sr. Ccsta, o homem que descobriu que eu era um pseudônimo, forçando a confessar que sou s a Carla Bruni, cujo teor era o seguinte:

José Fernandes Ccsta disse...

NÃO é o fim dos tempos. É o começo dos tempos. -Se o homem se julga no direito de ser sacana, por que a mulher NÃO pode fazer o mesmo? - Ela, a Cléo, está certa. Precisa dar as suas transadinhas extras, qual o problema? - O problema é lá com o namorado dela! - Quanto a ter a boca grande, torna-se mais voluptuosa. - E há um mito de que mulher que tem a boca grande, tem a vagina profunda.

30 de maio de 2011 20:45

Eu não me contive diante de coisa tão baixa, pelo menos as partes que ele fala da Cléo Pires. E comentei também dizendo:

Lucinha Peixoto disse...

Juro que não tinha o intuito de fazer comentário algum. Mas quando vi a defesa do “corno manso” pelo Roberto, e a extensão da sacanagem às mulheres por parte do Sr. Ccsta, ambos com a justificativa de “porque o homem podia”, não tive opção.

Vamos sair um pouco da religião, pois neste ponto vocês dois já estão bem acomodados no inferno. Vamos partir para a moral, que está acima da religião para a vida em sociedade, pois tenta fazer com que o homem viva bem em sua vida terrena.

A [in]fidelidade é um valor moral inestimável para a vida em sociedade. A mulher em sua luta pela igualdade deveria lutar pela fidelidade masculina e não pela infidelidade feminina. A justificativa de ser infiel porque os homens o foram é um desastre que pode levar ao fim do mundo mesmo, Roberto. Com a generalização da infidelidade feminina, acabará a figura do pai, que é tão importante para vida familiar. Mesmo que seja um pai gay, ele é importante. Ou seja a família é importante. Se as relações extra conjugais são consensuais, tudo bem e cada casal viva como quiser. Outra coisa é a generalização da infidelidade, seja ela masculina ou feminina.

Meu marido tem certeza de que meus filhos são filhos dele. Mas, o marido da Cléo Pires só terá esta certeza com o um exame de DNA. Será que deveremos ter o teste igual ao teste do pezinho. E se o filho não for do cara que está nervoso na sala de estar da maternidade? Será a mãe obrigada a dizer de quem é o filho, ou ele será mais um filho sem pai?

O raciocínio simplório que sai da cabeça do Sr. Ccsta é lamentável. O Roberto ainda fica um pouqinho em cima do muro, com um pezinho em baixo. O Sr. Cscta, o Generalizador Geral da República, sempre apela, como se fosse o rei da cocada preta. Quando isto é mostrado a ele, normalmente, ele, ou viaja, ou apela para indicar os erros de português do contendor.

Eu estava escrevendo um dia um artigo para o Blog da CIT, que qualquer dia terminarei: “Se for escrever não beba, e se beber não escreva.” Quando alguém defende a infidelidade generalizada para parecer um feminista radical, só pode ter bebido.

Lucinha Peixoto (Blog da CIT)

31 de maio de 2011 10:14

Para ser justa, já que estou falando desta virtude que tanto prezo tenho que citar o comentário do Roberto Almeida sobre a questão:

Blog do Roberto Almeida disse...

Lucinha,

Só queria dizer que continuo achando o Blog da CIT muito bom, um dos melhores. Mesmo quando discordo de algum de vocês não posso deixar de admirar o texto preciso, com estilo. Gostaria de esclarecer também que joguei a postagem de Cléo Pires com a intenção deliberada de chamar a atenção, chocar, atrair comentários, estimular a discussão. Concordo com você que a posição mais acertada é a mulher lutar pela fidelidade dos dois. Grande abraço.

31 de maio de 2011 10:45

Ainda não escrevi o texto sobre quem bebe e escreve, mas pela virtude da justiça um dia escreverei. Estou citando aqui o caso da [in]fidelidade para justificar meu pensamento e minha correção de rumo quanto ao casamento e ao contrato matrimonial, mesmo que os cônjuges sejam do mesmo sexo. Este valor moral serve como exemplo. Um casamento sem fidelidade é a dissolução da família, e não só o é no sentido religioso. Mesmo os povos que permitem mais de um parceiro numa união conjugal, há um conceito de fidelidade envolvido. Não se justifica, em nome da virtude da justiça, manter um casamento onde haja um “corno manso” seja ele a mulher ou o homem. Isto se aplica aos dois gêneros, nem “cornudo manso” e nem “cornuda mansa”. Mas prossigamos com o catecismo.

Porém, não basta que os homens tenham entre si esse relacionamento de justiça. A vida na sociedade é muito complicada e foi preciso se organizar um governo que ajudasse os homens a viverem juntos numa mesma cidade, num mesmo país. Por isso, a virtude da justiça vai também atuar no relacionamento dos homens com o governo, quer ele seja um prefeito, um guarda de trânsito, o presidente ou um rei. Os homens devem obedecer às leis estabelecidas pelas autoridades, enquanto que a autoridade deve atuar de forma igual para com todos, ajudando os bons e castigando os maus. Aqui eu iria me estender por demais se fosse argumentar que não são as autoridades que devem castigar ou ajudar as pessoas e sim as instituições, com o são a própria lei e modernamente uma Constituição e uma democracia. Não dar mais para se pensar em justiça em regime ditatoriais e oligárguicos. A relação de justiça que deve haver entre homens e governos é aquela respeite a lei pelo povo feita e pelos costumes que permitam a harmonia social e política. Todos somos iguais perante a lei, e onde minha Santa Madre Igreja apoia outra coisa eu estou com ela em desacordo. Perdoe-me meu Deus.

É a virtude da justiça que forma as bases do 7°, do 8° e do 10° mandamento da Lei de Deus. Não podemos furtar, nem levantar falso testemunho, nem cobiçar as coisas alheias, pois todos esses atos ferem a virtude da justiça, entre outras. Eu não sei porque ultimamente eu quando ouço isto eu penso logo nos políticos. Será que estarei sendo justa ou o meu pensamento está fazendo falso testemunho ou cobiçando as coisa alheias? Sei lá, é por isso que estou repensando minha candidatura a vereadora lá em Bom Conselho. Se conhecesse o Padre Nelson minha primeira pergunta seria: “Padre, político vai para o céu?”. Estou pensando.

Devemos também considerar que quando cometemos um pecado contra a virtude da justiça, em certos casos, não basta o arrependimento e a confissão. Nós lesamos o próximo tirando dele um bem material que lhe pertence. Devemos, então, fazer o possível para devolver aquele bem, de modo a restabelecer a justiça ferida pelo nosso ato. É o que se chama de restituição. Igualmente, quando pecamos contra o 8° mandamento, devemos retratar a reputação do próximo ferida por nossa mentira, calúnia ou maledicência. O Palocci parece que já foi convocado para depor no Senado. O que espero que ele se explique o devolva o bem material de 20 milhões que não lhes pertence. Será que haverá julgamento para os “mensaleiros”? O quê?! Boicotaram a convocação?! Bem, de qualquer forma ele vai cair mesmo!

[não percam a próxima aula sobre a Virtude da Força. Cruzes!!!]

Lucinha Peixoto

Um comentário:

Altamir Pinheiro disse...

COSTUMA-SE DIZER QUE NO BRASIL SÓ SE FICA MILIONÁRIO “FACILMENTE” FAZENDO TRÊS COISAS: SENDO BANDIDO, POLÍTICO DO PT OU BBB. AGORA, DAR CONSULTORIA E FAZER PALESTRA TAMBÉM DÁ DINHEIRO, E MUITO!!! APROVEITANDO A DEIXA, COM ESSA HISTÓRIA TODA DE HOMOFOBIA FICA PERIGOSO PERGUNTAR AO PALOCCI DE ONDE VEIO TODA AQUELA GRANA PRETA?!?!?! O POLITICAMENTE CORRETO É AFIRMAR: AQUELA GRANA AFRO DESCENDENTE?!?!?!