quarta-feira, 1 de junho de 2011

A cachorrada e o poder



Hoje mais cedo, fui ao Mural da AGD (aqui ), o Twitter de Luxo da Lucinha Peixoto e agora meu também, e transcrevi um texto, que encontrei no Diário de Pernambuco, e o meu laboratório favorito assina, e que tinha o mesmo teor noticioso da postagem abaixo, do Blog do Josias de Souza que li depois. Eu volto depois de vocês lerem, se nenhum cachorro me morder. Ei-la:

“Dilma Rousseff dispõe no Congresso de um curioso grupo de aliados. Privam a presidente da solidão sem fazer-lhe companhia.

Um dos integrantes mais destacados dessa ala é o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ). Ele respira chantagem.

Na semana passada, Garotinho ameaçou assinar a CPI do Paloccigate se Dilma não vetasse o kit anti-homofobia do MEC. Prevaleceu.

Agora, Garotinho encosta na garganta da presidente uma segunda lâmina: a emenda que institui um piso salarial para bombeiros e PMs.

O governo foge da votação da proposta como Palocci da CPI. Nesta terça (31), Garotinho cuidou de misturar os dois temores:

"O momento político é esse”, discursou o deputado, numa reunião com colegas favoráveis à emenda.

“Temos uma pedra preciosa, um diamante que custa R$ 20 milhões, que se chama Antonio Palocci..."

“...A bancada evangélica pressionou e o governo retirou o kit gay. Vamos ver agora quem é da bancada da polícia. Ou vota, ou o Palocci vem aqui."

Chantagem? "Não fiz uma ameaça, fiz uma proposta, que teve uma grande receptividade da platéia...”

“...Já os deputados mais ligados ao PT ficaram constrangidos e saíram. Agora, eu acho que o Palocci deve explicações à sociedade brasileira".

Como se vê, o governo Dilma, bebê de cinco meses, recebe dos aliados o tratamento de um velho com o pé na cova.”

Este caso do Palocci está se tornando um piada nacional. E eu gostaria que fosse só uma piada. Eu já disse, lá no Mural, que a Dilma não está num mato sem cachorro, ela tem é cachorros demais em torno dela. É de fazer chorar como o Garotinho ex-candidato a presidente da república (e vem votado) encara o jogo político desta maneira, até licenciosa, para as mentes com um pouco mais de ética em relação à coisa pública.

O grande problema que vejo no Brasil, é que, sem um reforma política que evite este caos nas disputas pelo poder, a vaca continua indo pró brejo e não sabemos onde é o brejo. Não sei quem dizia que “em política, o feio é perder”. Eu já digo que, com coisas assim, todos nós perdemos, pois as chances de termos decisões corretas e que beneficiem a maioria são muito baixas. Ora, se a bancada evangélica pode tudo por causa do rabo imenso do Palocci que está preso no Planalto com a ajuda da empresa de consultoria Projeto, porque é que as outras bancadas, as que representam outros interesses não barganham os seus pleitos usando a joia preciosa?

Calma, perguntar não ofende! O que eu deveria era afirmar que isto já está sendo feito, e cada dia mais o nosso poste maior ficar com a luz ofuscada pelo episódio. Isto não é bom para o Brasil. Não seria o caso de agora, já que as “oposições” não conseguem fazer oposição, seus líderes fazerem como o Zé Serra e saírem na defesa do Palocci, em nome de alguma coisa, talvez, a tão batida governabilidade? Pelo menos o Fernando Henrique já começou, sutilmente, como ele gosta, a defender o governo, com esta conversa de descriminalizar a maconha.

Eu confesso meu espanto diante de tudo isto. Minha cabeça está girando e confusa. Tem cachorro querendo morder o povo. É preciso verificar se eles estão raivosos. Mas, dizem que um santo remédio para mordida de cachorro, mesmo louco, é, colocar uma dose de 51 num copo, de 50 ml mais ou menos, e, ao invés de dar a “do santo”, jogar um pouco em cima da mordida, e tomar o restante. Dizem que este foi o segredo do Lula para ficar tanto tempo vivo. Segundo os cálculos do Planalto, em 2005, foram consumidas mais de 40 garrafas de 51.

Agora devo avisar, que só o Lula, até agora conseguiu dosar corretamente o antídoto 51, por tanto tempo. Ele já fez treinamento com a Dilma várias vezes, inclusive, recentemente indo a Brasília, onde consumiu mais de 10 garrafas. O problema, é que a Dilma, pelo seu estado de saúde, não pode tomar o gole na medida certa, e o Lula disse que, ao Temer, ele não ensina nem morto. Dizem que o Sarney também tem um antídoto poderosíssimo, ele morde a si próprio.

Zezinho de Caetés

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P.S.: Este artigo já estava no prelo quando li que, numa manobra ousada, onde cada um corria atrás do próprio rabo, conseguiram conseguiram convocar o Palocci para depor. Se isto for verdade, a joia vai perder seu valor breve breve. Aí as bancadas não tem mais como barganhar. Logo agora que eu iria juntar a bancada da Academia de Letras, que tem dois membros, eu e o Zetinho lá de Bom Conselho, para pleitear ajuda federal. Que azar!!!

ZC

Um comentário:

Altamir Pinheiro disse...

COMO GOSTAVA DE PROFERIR, MUITO CORRETAMENTE, O POETA FERNANDO PESSOA: MINHA PÁTRIA É MINHA LÍNGUA. NÃO É À TOA QUE ARIANO SUASSUNA CUMPRE À RISCA QUANDO DIZ EM SEU ESPECÍFICO LINGUAJAR NORDESTINÊS QUE, “NÃO TROCO MEU OXENTE PELO OK DE NINGUÉM”. POR ISSO, FORA HADDAD!!! PALOCCI TAMBÉM!!!