sexta-feira, 10 de junho de 2011

A despedida do Ronaldo



Terça-feira, fiquei até mais tarde acordado, pois queria assistir ao jogo entre Brasil x Romênia. Já havia visto no sábado a seleção de Mano Menezes jogar contra a Holanda e ficar no nada a nada.

O futebol brasileiro ficou mais caro e “mais ruim”. Diante de uma torcida ávida para ver a seleção seja lá qual for ela, os novos protagonistas Neymar e Robinho tentaram até pedalar para suprir a deficiência em objetividade, contra a “laranja” que não é mais nem mecânica. A novidade mesmo foi o cabelo “moicano” do Robinho que agora imita o Neymar, como quase todos os fazem. Agora é trancelim no pescoço, brinquinho na orelha e aquela crista de galo na cabeça. E ainda dizem que o futebol brasileiro é o mais criativo do mundo. Pode até ser, mas os jogadores..., é um ou outro.

Para ilustrar, o Ramires, que deve ter o maior brinco de todos, fez faltas horrorosas, xingou o juiz e foi expulso. Não deu outra, aquela torcida alegre e esperançosa, depois disto passou a chamar a seleção de “timinho”. Eu mesmo nem vi time ali. Temos alguns jogadores individualmente bons, e estamos esperando um técnico para fazer dele um time.

Sem nem dá tempo de falarem uns com os outros, os jogadores, já na terça-feira estavam em São Paulo tentando enfrentar a Romênia, nossa freguesa de caderneta, desde 1970, quando ainda éramos os melhores do mundo, com Pelé e companhia.

Que joguinho chato! Se não fosse a perspectiva de despedida de um verdadeiro craque, eu teria desligado o televisor e teria ido dormir o sono dos frustrados com o futebol. Penso até que a torcida paulista, no Pacaembú, que está de pé até hoje, como para nos lembrar dos tempos de glória do futebol brasileiro, teria também abandonado o estádio.

Mas a esperança, de ver pela última vez um craque, que nos deu as maiores glórias, era maior. E aos 30 minutos de jogo, foi anunciada sua entrada em campo. Um frêmito delirante veio da arquibancada, e eu até acordei minha mulher para ver. A multidão ficou de pé e aplaudiu. Todos, como eu pensava, onde foi casa é tapera. Mesmo com sua idade ele vai produzir um futebol vistoso e de qualidade, pensamos todos.

E não deu outra. Com a ajuda dos companheiros ele quase marca um gol em sua despedida, e errou em outras duas ocasiões, com grandes chances. Seria uma glória que ele merecia, pelo que nos proporcionou de espetáculo principalmente quando fomos penta campeões. Pois como vocês sabem, nem o Brasil foi hexa, pois hexa ainda é um luxo de nós do Náutico.

Eu iria dormir mais tranquilo pelo que vi do passado, e talvez até esquecesse do futuro, vendo aquele craque salvar aquele espetáculo. Isto seria possível, se minha mulher um pouco sonolenta, quando eu mostrei aquele jogador que entrava em campo para sua despedida, ela me perguntar:

- É o Bussunda!?

Eu nem respondi com vergonha. Desliguei o aparelho e fui dormir, sem antes deixar de rezar um pouco para o finado Bussunda. Que Deus o tenha.

Jameson Pinheiro

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