quinta-feira, 23 de junho de 2011

O Santos mais uma vez



Eu hoje me acordei tarde, igual a Lucinha que já li na AGD. Não pelo São João e nem por preocupação de que o Felipe Alapenha descubra meu IP. Foi pelo jogo Santos 2 x 1 Peñarol. E o vi em “full HD”, como se diz hoje. Eu não sei porque se vai mais a campo hoje, quando podemos sentir todas as emoções com as imagens televisivas. Foi uma beleza. Seguindo a escola do Zezinho de Caetés, que diz que só gasta seus dedos teclando quando não encontra o que ele queria dizer já pronto para citar, eu cito o Blog do Alon, onde me informo, quando estou entediado, sobre política e que hoje escreve sobre futebol com a postagem: “Obrigado, meu Santos”. Leiam e depois eu entro em campo:

“O primeiro jogo de futebol na minha memória é aquele Santos 4 x 2 Milan na final do Mundial Interclubes de 1963. Vi na TV preto e branco na minha casa da Rua Padre João Manoel, em São Paulo.

Foi um jogo para não esquecer. De virada. Pelé não jogou, substituído por Almir, o pernambuquinho. Com uma chuva daquelas no Maracanã.

Depois o Santos ganhou mais uma por 1 a 0 (tinha perdido o primeiro jogo, em Milão, também por 4 a 2, e naquele tempo o desempate era num novo jogo). E foi bicampeão.

Nossa família tinha vindo uns anos antes de Israel, para onde tinha ido quando saiu da Romênia depois da guerra. Para mim, o Santos foi a porta de entrada no Brasil. Aprendi tudo ao mesmo tempo: o português, o amor pelo Santos, o alfabeto, o amor pelo Brasil.

Também por isso minha paixão pelo Santos se confunde com o sentimento pelo Brasil, esta terra de imigrantes como eu. Uns mais remotos, outros nem tanto, mas todos imigrantes.

Depois de Pelé foram três décadas de travessia do deserto, com algumas pequenas alegrias aqui e ali. E quando tudo parecia caminhar para um fim triste vieram 2002, Diego, Robinho e o início da ressurreição.

Que se completou ontem. E vai ter um novo capítulo no Mundial Interclubes do fim do ano. Sei lá qual será o resultado no Japão. Nem vou pensar nisso. Prefiro continuar vivendo esse encontro com raízes tão profundas.”

O Santos também marcou minha vida de torcedor lá em Bom Conselho, onde aprendi a dar meus primeiros chutes ali pela ponta da rua da cadeia. Isto foi em 1958, com a conquista da nossa primeira Copa do Mundo. Foi naquela época que “Pelé, Didi, Vavá brilharam lá na Europa e a copa veio prá cá”, como dizia a musiquinha da época. Além deles havia o Garrincha. Este me fez ser torcedor do Botafogo, enquanto o Pelé me fez torcedor do Santos.

Naquela época não existia uma preferência nacional por um time. A pergunta era, “no estado tal torces por quem?” E eu dizia, em São Paulo, é o Santos, no Rio é o Botafogo, em Minas o Cruzeiro, na Paraíba o 13 de Campina Grande, e por aí vai. Lembro de ter ficado até tarde ouvindo no rádio jogos memoráveis do Santos. O gol mil do Pelé, os embates com o Vasco da Gama, quando o Vasco ainda era um time confiável. Pela qualidade dos outros jogadores que ele produziu e que serviram a seleção e a outros times, até quando começou a época da diáspora entre os nossos jogadores.

Em nosso tempo para vermos nossos melhores craques jogando, temos que ver jogos estrangeiros, principalmente italianos e ingleses. Só restou o Santos agora, revelando o Neymar, o Ganso, depois de revelar o Robinho e Diego. Parece até que Santos, a cidade é um fábrica de bons jogadores, e que nem precisam ter lá nascidos. O Pelé é mineiro. Hoje, sem dúvida é o único time que pode dar uma alegria nacional a quem gosta de futebol.

Eu deixei de propósito, para responder a pergunta acima de quem eu torço por estado, relativo a Pernambuco. Ou seja, quando me perguntam, em Pernambuco, por quem você torce, eu apenas respondo: Pelo Hexa Campeão! Viva o Santos!

Jameson Pinheiro

Um comentário:

Blog do Roberto Almeida disse...

Excelente artigo! Além do mais também me identifiquei completamente: tenho alegrias com o Santos e sofro com O Náutico e o Botafogo.