terça-feira, 28 de junho de 2011

A Parada Gay, a PAPACAGAY e os sonhos...



Quem me lê, e graças a Deus já são muitas pessoas, sabe que sou uma das organizadoras da PAPACAGAY, que é uma parada ainda programada das pessoas Lésbica, Gays, Bissexuais, Transexuais e Simpatizantes de nossa terra, que para facilidade de comunicação, eu chamo todos de Gay. Esta ideia me surgiu há alguns anos atrás quando vi, tanto as pessoas gays, quanto aqueles que não o são, como eu, mais simpatizam com o movimento, agindo no sentido de acabar com os preconceitos existentes contra quem tem uma orientação sexual diferente da maioria.

Travei um sério debate sobre a justeza de minhas ideias a respeito, principalmente com aqueles religiosos, como eu, e que baixam a crista para tudo que as autoridades eclesiásticas nos dizem ser o correto. Em termos bíblicos tanto há argumentos contra como a favor do homossexuailismo, que não é uma doença e nem mesmo uma opção. O indíviduo nasce gay e morre gay, da mesma forma que eu nasci mulher e morrerei mulher. Muitos vivem enganados ou amedrontados dentro de um armário por anos, às vezes, nunca saem deles, a não ser para o armário final, que é o seu caixão. Lutar para uma saída fácil, correta e necessária para a felicidade é a luta que eu apenas comecei em Bom Conselho.

Minha simpatia pela causa gay vem do fato de que esta minoria sofreu e ainda sofre muitos preconceitos, principalmente, no meio religioso, embora também, o tenhamos, com toda ênfase, em terras considerada de machões como é Bom Conselho. Até o Pedro de Lara, que sempre foi um bom artista, fazia o gênero machão empedernido para ganhar audiência. Eu nunca tive nada contra, pois sabia de fontes relevantes que aquilo era apenas um tipo como qualquer outro personagem artístico, e que ele jamais discriminou os homossexuais.

A ideia do incentivo a uma parada gay em Bom Conselho surgiu junto com minha outra de me candidatar a vereadora da cidade, e que teve, até agora muita repercussão, inclusive alguma ciumeira de concorrentes ao mesmo cargo, ou mesmo de aspirantes a cargos majoritários, de quem eu divergia politicamente. Hoje, já declarei antes, não sou mais candidata, pelo menos em 2012. Embora continue na luta de incentivar a parada gay, a que chamei, por motivos óbvios, de PAPACAGAY.

Sem minha candidatura, eu sei que o movimento perde um pouco a sua força, pois todos me esperavam, pessoalmente, este ano para sair à rua. Mas, eu, depois de ver ontem a parada gay, em São Paulo, a maior do mundo, não posso como diz um filho meu, “deixar a peteca cair”. E sei de boas fontes que muitos já organizam a parada para o próximo Encontro de Papacaceiros, e que muitos dos componentes já desfilaram, embora não com a desenvoltura e abertura que deveriam, agora durante o Forróbom.

Eu aproveito este momento de lembrança, por ter visto ontem, no Fantástico da TV Globo, um membro de nossa igreja criticar a parada por levar imagens de santos para a avenida e os associarem ao movimento gay. Eu também sou contra esta prática. Uma coisa é ser gay outra coisa é ser iconoclasta. E isto se aplica a qualquer atitude ou qualquer movimento de minorias que, ao invés de lutar pelos seus direitos, passa a não respeitar os dos outros, como o são as crenças religiosas, sem uma limitação ética que deve ser dada pelos costumes, preceitos cristãos e arcabouço legal.

Não há como fugir de exemplos para tratar um tema tão difícil quando determinados tipos de preconceitos estão sendo discutidos. Qualquer tentativa de generalização é precária e muitas vezes cruel com todos envolvidos. Hoje não deveria ser mais possível expulsar homossexuais mesmo de um templo, e menos ainda de estabelecimentos mundanos. Isto é uma coisa. Outra é defender que todos os tipos de atitudes amorosas entre pessoas do mesmo sexo sejam permitidas nesses ambientes. Por que? Porque para pessoas de sexos diferentes também não deveria serem permitidas. Eu mesmo me sentiria chateada se chegasse numa igreja e encontrasse um casal hétero, como se dizia em minha época, “xumbregando” (hoje é ficando). Também não gostaria que dois homossexuais fizessem o mesmo, e talvez eu tivesse a mesma atitude que teria o Padre Alfredo, muitos anos atrás, com ambos os tipos de casais.

Eu adoraria ver na cadeia alguém, cuja homofobia fosse tão radical, que agredisse alguém por ser homossexual, mas também adoraria ver o mesmo tipo atrás das grades por agredir quem quer que seja. Ou seja, devemos viver numa sociedade que coíba a violência contra homos e héteros. Contra negros e brancos. Contra mulheres e homens. Contra religiosos e ateus, que não fossem eticamente capazes de convivência harmoniosa.

Eu sei que nossos amigos do movimento gay, que defendem a criminalização da homofobia já me criticaram, por ser contra a fazer uma lei específica para tal coisa. Há o malfadado PL 122, que é uma tentativa no sentido desta criminalização. Até hoje se debatem no congresso, em marchas e contra-marchas, para aprová-lo ou reprová-lo. Meu pensamento é que não há forma de colocar numa legislação única, e nem mesmo sei se é necessário uma, todos os casos, sem ferir determinados direitos fundamentais. E vou além, determinadas formas legais, ao invés de trazer benefícios aos pretensos beneficiários, trarão é prejuízos e mais discriminação. (Um caso evidente que um dia abordarei é o sistema de cotas para negros. Para mim só prejudica os negros).

O que temos de fazer é, através de nossa força, principalmente os simpatizantes como eu, a tentativa de mudar os costumes em relação aos homossexuais denunciando os abusos e bradando que todos somos iguais não só perante a lei, mas perante Deus, em nossa substância essencial que é a humanidade. A igualdade absoluta entre os homens é uma quimera socialista ou até anarquista da vida em sociedade. Quando nascemos já somos diferentes de todos, mas temos o direito, igual a todos, de sermos felizes. O que vem a ser isto, depende da cultura e história de cada povo, e a dificuldade em atingir esta felicidade não se resolve só com leis.

Um belo início é a realização de paradas que reúnem pessoas de todas os tipos a uma minoria, como que dizendo, olha aí cambada, o mundo pode ser assim. Harmônico, sem violência, sem discriminação, sem preconceito de forma alguma. O Martin Luther King tinha um sonho grande e o viu realizado na América, o meu sonho é bem pequeninho mas luto para ainda vê-lo realizado. A realização da parada gay em Bom Conselho, a PAPACAGAY.

Como uma coisa sempre puxa a outra, gostaria que na parada estivesse o Sr. Ccsta, que eu chamo de “Bolsonaro do Agreste”, carregando um dos estandartes do movimento. O Fã Club de La Luna engrossando nossos cordões. Eu, de braços dados com Marcix, formando a ala das “fortinhas”, sem medo de ser feliz, e o MSC trazendo o Ronaldo Dias à frente, com um erro de concordância no título. E eu, diante de tanta alegria e harmonia não teria a audácia de criticar, e até cantarolaria com o UvaPassa: “Curtindo a menopausa”.

Lucinha Peixoto

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