terça-feira, 21 de junho de 2011

Pelo justo e pelo certo



Aqui em Gravatá é uma maravilha. Não é pelo São João. É pelo friozinho gostoso do qual já estava com saudade. Eu já sabia, mas este clima apenas confirma que as grandes civilizações apareceram em clima temperado, porque ele nos faz pensar melhor. A mente fica mais calma e as soluções dos problemas são mais rápidas. Estou aproveitando, antes que esta mordomia na casa de um filho meu termine e eu tenha que voltar ao horror que é o calor, os buracos e a sujeira nas ruas, do meu amado Recife, para pensar.

Voltando não me queixo, pois tenho meus netos. Um saído e outra ainda na barriga da mãe. Sei que vou cortar um dobrado. Se, ser mãe é padecer num paraíso, ser avó é apenas morar num paraíso. Daqui a pouco são dois, e isto está me forçando a tomar uma decisão que já vinha amaderecendo por algum tempo, também por outras razões.

Os meus planos para minha candidatura a vereadora em Bom Conselho são inviáveis. Como diria o Odorico Paragaussu, “é com a alma lavada e encharcada que comunico minha decisão”. Daqui de cima da Serra da Russas, onde tantas vezes passei, é um bom cenário para declarar isto. Não considero minha decisão algo definitivo em almejar sentar numa das cadeiras, atualmente, tão vazias, da Casa de Dantas Barreto. Ainda não tenho idade suficiente para cantar no conjunto UvaPassa e posso esperar mais 4 anos. Ou, quem sabe, partir para outros vôos em 2014.

Nada é impossível para quem babar bem o ovo do Conde Eduardo. Embora que o prestígio dele vem decaindo não tão lentamente no Agreste Meridional. Basta ver uma postagem do Roberto Almeida (aqui), cujo título é “Eduardo perde popularidade em Garanhuns”, onde ele comenta o resultado de uma enquete feita em seu blog, e que são muito concorridas. O Roberto diz: “Há mais duas questões importantes: Todos sentem que o Festival de Inverno vem decaindo nos últimos anos e muitos temem que a cidade perca o que tem de melhor. Por fim, muita gente não aceita a manutenção da atual direção do Hospital Dom Moura, que está para Eduardo Campos como o presídio feminino esteve para Jarbas Vasconcelos.” Isto talvez tenha sido o motivo pelo qual 40% dos internautas tenham dito que no governo do Conde há mais propaganda do que obras.

E em Bom Conselho, onde o Forróbom virou Forrópior, pela descaso com que o município foi tratado pelos órgãos responsáveis pelo turismo regional, apesar de reconhecer que também, ouve muita incompetência do tal do “governo do povo”, que não agiu a tempo para resolver os entraves burocráticos e o que é pior, ficou escondendo a situação da imprensa como medo da mão pesada do Conde.

Hoje, hora em que escrevo, nenhum blog, nem mesmo o do Felilpe, meu menino, mencionou como foi o Forróbom, talvez também com receio de ter que dizer que o negócio teve mais pompa do que circunstância, ou “sustança”. Eu vi as fotos da estrutura de uma festa que por definição é simples. Parecia um sambódromo. Gastou-se um rio de dinheiro enquanto outros setores ficam a míngua como a saúde e as muriçocas, que agora a chuva deve ter levado, para alívio dos responsáveis.

Era muito difícil enfrentar agora, com dois netos prá cuidar, problemas desta natureza. Seria mais apenas uma mulher que não deu certo em Bom Conselho. Eu sei, com as devidas mudanças, o que a levou a Mamãe Juju a renunciar, e não queria passar pelos mesmos problemas. Nós mulheres, mais do que os homens, não podemos falhar, pois eles estão de olho em nós. Precisamos avaliar melhor nossas forças e agora eu não as tenho.

Pelo menos para ser o que eu sou. Adepta de dizer a verdade e lutar para que as coisas sejam corretas. Sou uma dona de casa que não tenho um curso superior, mas como o apedeuta Lula, aprendi a estudar e me informar sozinha, e ao contrário dele não me jacto por isto. Adoraria ter tido mais educação formal, mas isto não foi possível. Não leio muito, pois os afazeres são muitos, e como quase toda dona de casa, minha janela cultural é a TV. Fazendo isto chego até a enganar pessoas de boa cabeça como o Altamir Pinheiro, que me chama de intelectual (embora o Einstein me chamasse, mais propriamente até, de intelectual do alho e óleo). Não sou nada disso.

Foi vendo a bela novela da Globo, Cordel Encantado, que me encontrei neste agreste nordestino de bandidos, cangaceiros e coronéis. Eu sou uma remanescente do bando do Jesuíno Araújo, filho do cangaceiro Capitão Herculano, cujo lema é: “Pelo justo e pelo certo”.

Eu sempre defendi a novela como uma forma de literatura e continuo defendendo. A TV Globo vai comemorar os 60 anos de suas novelas. Eu não digo que vi todas, mas vi uma porção delas. E não digo que perdi tempo. A emissora vai lançar um “remake” de O Astro, uma novela da Janete Clair, da qual eu me lembro, embora não nos seus detalhes. Por essas lembranças eu reverei Herculano Quintanilha, a se fingir de mágico e vidente para conquistar o que quer. Espero que a trama passe em horário adequado, para eu comprovar que em nossa política há mais Quintanhilhas do que Jesuínos.

Não pensem meus adversários que a Lucinha, ao não concorrer a um cargo eletivo, pára por aqui. Estarei aqui na minha trincheira do teclado, sempre lutando “pelo justo e pelo certo”.

Lucinha Peixoto

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