sábado, 11 de junho de 2011

Travando a língua com o Conde Eduardo



Ontem eu li um artigo do Roberto Martins. Ele é um sociólogo que sempre escreve e eu sempre o leio numa suas coluna do Diário de Pernambuco. Eu não sei se ele chamou seu texto de Três tigres tristes, para lembrar do conhecido “trava língua”:

“Três tigres tristes para três pratos de trigo.

Três pratos de trigo para três tigres tristes.”

Ou se ele tem outro sentido para o texto. Sociólogo sempre tem uma explicação para tudo que eles acham que ocorre em sociedade, incluindo os “tigres”. Não importa muito. O que me importa é que todos seus três tigres, realmente, são cada um mais triste do que outro, que me deu uma vontade danada de comentar cada um. Vamos ao primeiro tigre, o Roberto com a palavra:

“Pernambuco não vai assim tão bem como pensam os ufanistas não-críticos, ou, para usar uma velha expressão de Álvaro Vieira Pinto, aquele grande ideólogo do Iseb, de quem o nosso Paulo Freire copiou muito de seu trabalho teórico, os de “consciência ingênua”. Pesquisa do competente Ipea, divulgada neste mais recente fim de semana, revela que perto de um milhão e quinhentas mil pessoas aqui no estado vivem abaixo da linha de pobreza, medida por viverem com renda de menos de R$ 70 mensais; 32% da nossa população são de analfabetos. Sem contar aí os analfabetos funcionais, o que pode levar a nossa incompetência com a cultura letrada a mais de 50% das pessoas, que não saberiam ler uma simples instrução médica, por exemplo.! É grave; gravíssimo. E, mais um dado que o Ipea chamou a atenção para que recursos públicos sejam mobilizados, e já: mais de 1/4 das habitações da população pernambucana não possui condições sanitárias básicas e essenciais. Não sou “espírito de porco”, nem “estraga prazeres” do atual “orgulho” pernambucano; e muito menos comprometo a divulgação destes dados e meus comentários a manifestação político-partidária ou a acerto de contas pessoal com atuais ou antigas lideranças de governo. E só à guisa de boa provocação, recebi de uma amiga minha uma paródia-chiste com uma variação de um trecho do hino de Pernambuco: “Pernambuco é mortal! é mortal”. “

Eu voltando. E põe tristeza nisto. Eu tinha uma “consciência ingênua”, vivia feliz. Até que resolvi, talvez num acesso de loucura me interessar por política. Aí eu virei uma “consciênica sabida”, e espero nunca me tornar uma “consciência esperta”, como o ex-apedeuta-mor e o Conde Eduardo se tornaram.

Vejam que o só são mencionados pelo sociólogo coisas referentes à educação e nível de renda. Que tal passarmos para o quesito segurança. Não precisa nem pesquisas de alto nível para demonstrar o quanto Pernambuco está desprotegido e sem segurança. Faz tempo que não há um só dia em que um caixa eletrônico não seja estourado. Faz tempo que não há hora em que aja uma assalto a ônibus e a transeuntes. Faz tempos que não há um minuto em que um celular não seja roubado, e por aí vai.

E se passarmos para a área da saúde. É UPA neguinho prá lá, UPA neguinho prá cá e os hospitais tradicionais sem a mínima condição de atendimento. Nós da classe média, não sofremos tanto, temos os nossos planos de saúde que nos dão direitos a frequentar o SUS, pois na prática os médicos e hospitais nos boicotam por acharem que recebem pouco das operadoras, enquanto a gente paga fortuna aos planos. E cadê o poder público para regulamentar e fiscalizar, que seria seu papel fundamental?

Está empenhado em financiar as festividades natalinas, carnavalescas, juninas e outras que mantenha o povo ordeiro e pacífico como os tigres.

No próximo texto eu comentarei o segundo tigre do Roberto Martins. Por enquanto fiquem com mais este trava língua, oferecido pelo Conde Eduardo:


"O doce perguntou pro doce

Qual é o doce mais doce

Que o doce de batata-doce.

O doce respondeu pro doce

Que o doce mais doce que

O doce de batata-doce

É o doce de doce de batata-doce."


Pernambuco é mortal! É mortal”

Lucinha Peixoto

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