segunda-feira, 20 de junho de 2011

Viva São João!!!



Hoje estou aqui decidindo entre ir “forrozar” lá pelo interior (e quando faço isto vou para Caetés, pois lá ainda tem fumaça das fogueiras nas casas e não cheiro de cerveja dos palanques e camarotes oficiais) ou ficar aqui mesmo no Recife e ir para o Sítio da Trindade, que é um local que já está meio estilizado mas, ainda encontramos coisas das festas juninas originais.

Hoje é tudo para turista ver. Já vendem ate quiti (é “kit” em brasileiro) para dançar o São João. Sai por R$ 50,00 e vem com chapéu de palha, camisa quadriculada, calça remendada no fundo e um adesivo da Rede Globo Nordeste. E tem até americano que veste aquilo e desfila ao som do Luis Gonzaga calçando um sapato tênis da naique. Como dizia minha mãe:

- Parece a peste!

Mas eu não sentei aqui para escrever e sim para transcrever a postagem do Blog do Josias de Souza, que se intitula “Congresso se autoconcede uma semana de ‘recesso’”. Leiam e volto depois, soltando meus traques, de chumbo, é claro:

“Sem alarde, Câmara e Senado se autoconcederam um recesso extraoficial de uma semana.

Alega-se que os congressistas, especialmente os do Nordeste, precisam prestigiar os festejos de São João.

De resto, argumenta-se que a semana será entrecortada pelo feriado de Corpus Christi, na quinta (23).

Na anormalidade que se tornou normal em Brasília, os congressistas já usufruem de jornada diferente da que a lei impõe à maioria dos trabalhadores.

Para o brasileiro convencional, a chamada “semana inglesa”: cinco dias e meio de derramamento de suor, com folga no sábado à tarde e no domingo.

Para deputados e senadores, a “semana brasiliense”: sessões deliberativas de terças a quintas. Depois volta às bases, onde ficam de sextas a segundas.

O fenômeno do recesso junino, que permite aos parlamentares se abster até mesmo do cumprimento da jornada de três dias, repete-se todos os anos.

Oficialmente, os plenários das duas Casas legislativas estarão funcionando. Extraoficialmente, será um funcionamento para inglês ver.

Na Câmara, o “trabalho” mais relevante à espera de conclusão é a votação da medida provisória 527.

Trata-se daquela MP que, editada para criar a Secretaria de Aviação Civil, recebeu um enxerto polêmico: o RDC (Regime Diferenciado de Contratações Públicas).

O texto-base já foi aprovado. Mas a oposição apresentou uma dezena de emendas, chamadas tecnicamente de “destaques”.

Por meio desses destaques, os rivais do governo tentam derrubar –parcial ou integralmente— as novas regras para licitações de obras da Copa e das Olimpíadas.

Em decisão que obteve o assentimento de todos, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-SP), empurrou a votação para terça-feira (28) da semana que vem.

Para disfarçar a falta de mão-de-obra, Maia agendou duas “sessões extraordinárias” –uma nesta terça (21), outra a quarta (22), véspera do feriado.

Na pauta, temas que podem ser apreciados em sessões esvaziadas, com poucos gatos pingados, por meio de votações simbólicas.

Entre eles uma consolidação de leis já existentes, para eliminar sobreposições; um remanejamento de cargos da própria Câmara; e acordos internacionais.

No Senado, onde o mecanismo das “sessões extraordinárias” não foi incorporado ao regimento, há a obrigatoriedade de priorizar as medidas provisórias.

Quando há MPs pendentes de votação, elas “trancam” a pauta. Nenhum projeto pode furar a fila.

Para desassossego do Planalto, o São João e a celebração da “presença” do Corpo de Cristo na Eucaristia chegam junto com a MP 526.

Já aprovada na Câmara, essa medida provisória autoriza o Tesouro Nacional a tonificar o caixa do BNDES em R$ 55 bilhões.

As MPs, como se sabe, têm prazo de validade. Se não for votada até 1º de julho, a do BNDES vai caducar.

Para não correr riscos, o governo tenta salvar a semana votando ao menos essa MP.

O maior adversário é o esvaziamento imposto pelas fogueiras juninas e o Corpus Christi talvez não permitam.

Se um oposicionista exigir votação nominal, o governo talvez não disponha de tropa para levar ao plenário.

Além dos congressistas festeiros, uma autoridade solta fogos em Brasília. Beneficiada pelo ermo do Congresso, a ministra Ideli Salvatti ganhou trégua de sete dias.

Na semana passada, em reunião com líderes governistas da Câmara, a nova coordenadora política de Dilma Rousseff informou que fará hora extra.

Aproveitará as ausências para se debruçar sobre o monturo de cargos e emendas que pendentes de distribuição. Prometeu acelerar o conta-gotas na semana que vem.

Se Ideli descumprir o compromisso, os aliados do governo vão como que prolonger o São João, acendendo fogueiras no Congresso.”

Vejam, senhores, se isto teria cabimento num país sério. Será que o De Gaulle estava certo? É difícil de contestá-lo.

E eu pobre mortal, tenho que escrever para o Blog da CIT, e ainda por cima, ao fazer isto, só estou enchendo a bola do Zé Carlos (que não tem nada a ver com isto), que continua feliz cuidando do neto dele. Pensando bem, ele merece, mas, não nos peça para maneirar com esta corja de preguiçosos, que comem nosso dinheirinho para, em seus dizeres, darem atenção às suas bases.

O nosso grande problema atualmente é a resposta à pergunta: “Será que ficará em Brasília alguém da quase inexistente oposição para manda contar os senadores?” Caríssimo Jarbas Vasconcelos, fique em Brasília. O Brasil precisa, agora mais do senhor lá do que aqui. Vá pelo menos um dia e peça a contagem. Já será alguma “oposicionada” de que estamos tão carentes.

Mas, nesta semana, não tem jeito, vai ser um pé aqui e outro no Sítio da Trindade. Viva São João!

Zezinho de Caetés

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