sexta-feira, 1 de julho de 2011

Economia estava à beira do abismo. Dilma dá um passa á frente.



Eu não sei para onde esta equipe econômica que levar a economia brasileira. Minha primeira hipótese sempre foi que eles estão querendo também “venezuelizá-la”. Parece até que não vêem o fracasso que é o chavismo em termos políticos, e o que obteve de sucesso em economia deve-se ainda ao petróleo. Será que eles já estão pensando no pré-sal? Estão contando com o ovo no fiofó da galinha?

É o que parece para que forcem o aprofundamento da intervenção estatal em nosso ainda incipiente capitalismo. E há uma ciclotimia evidente nas ações do governo Dilma. Por um lado privatiza-se a Copa, por outro lado estatiza-se o varejo de alimentos, representado pelo supermercados. É, em parte, compreensível, pois sem o setor privado a Copa não sai, o que seria a maior vergonha, para o Brasil, desde que os índios comeram o bispo durante o descobrimento. Enquanto se permanece com a ideia burra de que o socialismo de estado ainda tem vez no mundo moderno.

No artigo de ontem eu, toquei na questão apenas de raspão. Agora estou melhor informado. Com a desculpa de tornar o Brasil um grande competidor mundial no varejo de alimentos, o BNDES vai emprestar R$ 4 bilhões ao grupo Pão de Açúcar (leia-se família Diniz) para que este faça uma fusão com o Carrefour no Brasil, tornando-o o maior grupo no setor.

Eles dizem que a fusão é boa para o país. Será que é um retorno da megalomania lulista do “nunca antes neste país”, “país sem miséria” e outros chavões? Como é bom para o país, tirar dinheiro nosso, do público pagante, para emprestar a juros subsidiados à família Diniz. O governo não gera poupança para isto, e nem para nada, para ser mais preciso. Tudo vem do nosso bolso.

Enquanto os prefeitos estão de pires na mão, sem poderem fazer nada que mitigue o sofrimento dos seus munícipes, porque dizem não existir dinheiro para pagar o que prometeram em exercícios anteriores, com a outra mão se ajuda a família Diniz, a aumentar o grau de monopólio no setor de alimentos, e em consequência dando poder de barganha tanto na compra como na venda a um grupo só, diminuir a oferta de empregos, pois isto sempre ocorre em nome do aumento da produtividade, e outras complicações mais para nossa economia.

Estamos perdendo a grande oportunidade de darmos mais um choque de capitalismo em nossa economia. De acabar com a multidão de capitalistas que ficam esperando os favores da “viúva” dados em trocas de promessas de campanha. Este é o preço ainda da eleição da presidenta.

Vamos chegar a um ponto, em nossa economia, em que concluiremos ter sido os governos petistas que nos fizeram chegar à beira do abismo. Agora vem a Dilma Roussef e nos faz dar um passo à frente.

Nós merecemos. E agora fiquem com o texto mais tecnicamente elaborado sobre esta questão escrito pela Miriam Leitão, no Diário de Pernambuco de ontem, tendo como título “Encruzilhada”. Eu como moro perto deste bairro aqui no Recife, vou lá no Carrefour fazer o mercado do mês, antes que a fusão venha e o Abílio Diniz aumente os preços. Por isso nem volto.

“A ideia é ruim, mas o pior é a justificativa: a de que se o Pão de Açúcar se juntar ao Carrefour, o BNDES deve dar a maior parte do dinheiro — 2 bilhões — porque isso vai internacionalizar grupo brasileiro e abrir mercado para os nossos produtos. Balela. Essa ideia é ruim para o consumidor, para o contribuinte e para a economia do país.

O que é desanimador no Brasil é a dependência que até os novos capitalistas têm do Estado. Eles não dão nenhum passo sem que o governo vá junto, não apenas financiando, mas virando sócio. Um capitalismo sem riscos, ou de lucros privados e prejuízos públicos. Sempre foi assim, mas quando se vê um Eike Batista e um André Esteves, que poderiam ser a renovação dessa velha prática, repetindo os mesmíssimos caminhos que nos levaram a tanto problema no passado, a conclusão é que pelo visto o país vai demorar muito para chegar no verdadeiro capitalismo.

É um disparate completo o BNDES usar o dinheiro de dívida pública ou de fundos públicos para capitalizar uma operação estritamente privada. Ela será boa para o Carrefour, para os Diniz e para o BTG Pactual. Não é verdade que o Pão de Açúcar será internacionalizado e vai virar um grupo global. Ele vai ter um pedaço de um grupo francês, que será vendido no dia em que a família Diniz quiser vender. O Pão de Açúcar vai deixar de existir como empresa independente e será desnacionalizado.

A família Diniz é dona do negócio e faz o que bem entender — e o que as regras concorrenciais do país permitirem — mas que não se venha com nacionalismos de ocasião. A conversa de internacionalização do grupo não convence. O BTG Pactual também pode montar a operação que quiser no mercado. O estranho é por que um grupo que tem condições de captar no mercado internacional precisará que o BNDES entre de sócio e dê até R$ 4,5 bilhões para o negócio.

O grande perdedor será o consumidor brasileiro, que tem enfrentado uma concentração cada vez maior do grande varejo. O número de 27% do mercado brasileiro é enorme em si. Mas pode ser até maior. Está se somando bananas e laranjas. Pequeno varejo de empresas disseminadas pelo interior do Brasil, com o mercado dos grandes supermercados e hipermercados das capitais. Com a lentidão com que o Cade trabalha, no dia em que ele se pronunciar — e ainda mais num negócio que terá como sócio o próprio Estado brasileiro — tudo já estará consolidado.

Nos últimos anos o Tesouro já se endividou em R$ 260 bilhões — incluindo os R$ 30 bilhões deste ano — para financiar o BNDES nas suas operações. E elas fazem cada vez menos sentido. Por que o banco deve fazer seguidas capitalizações, comprar tantas debêntures ou ações do grupo JBS-Friboi, por exemplo? Por que o Estado brasileiro precisa ser sócio de frigorífico? E pior: um frigorífico que diz — como me disse o presidente do Conselho de Administração do JBS-Friboi, Joesley Batista, no dia 28 de abril — que não pode garantir que a carne que comercializa é livre de desmatamento ilegal. A empresa contraria a tendência atual do capitalismo no mundo, que é o de ser responsável por fiscalizar sua cadeia produtiva.

O BNDES justifica o fato de ter “enquadrado para a análise” a possibilidade de entrar na operação Carrefour-Pão de Açúcar com o argumento de que vai abrir mercado para o produto brasileiro. Convenhamos. O produto brasileiro terá mais espaço no mercado internacional se houver mais investimento em logística eficiente, se houver redução do Custo Brasil, e se as empresas tiverem boas práticas.

Para a carne brasileira ter maior penetração no mercados europeu não é necessário que o BNDES seja sócio de supermercado francês, mas sim que o setor cumpra regras de rastreamento sanitário. O mercado internacional precisa ser conquistado com uma redução do custo do transporte dos produtos brasileiros e com boas práticas de certificado de origem, rastreamento, comprovações que o mundo atual tem feito cada vez mais.

Essa operação já nasceu esquisita. O sócio Casino na Companhia Brasileira de Distribuição disse que suspeitava que o Pão de Açúcar estivesse negociando nas suas costas com o Carrefour. O acordo que tem com seus sócios brasileiros impedia a negociação. As suspeitas se confirmaram. E isso é mais uma razão pela qual o banco estatal brasileiro não deveria entrar no negócio.

Mas o mais importante motivo pelo qual não se deve haver dinheiro subsidiado ou de endividamento público no negócio é que ele é ruim para a economia e para o consumidor nacional. O distinto público não tem nada a ganhar com ele. Os neocapitalistas brasileiros deveriam usar toda a criatividade que têm para fazer negócios longe da sombra do Estado. Em vez disso, confirmam a velha dependência crônica. A palavra “carrefour” é ótima para nos lembrar que o país está numa encruzilhada: ou vai continuar fortalecendo o capitalismo estatizado sem risco, que é bom apenas para alguns poucos, que concentra a renda e socializa o prejuízo; ou vai incentivar a competitividade, a inovação, a concorrência e as práticas sustentáveis da nova economia.”

Zezinho de Caetés

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